


POLÍCIA, ADJETIVO (POLICE, ADJECTIVE) de Corneliu Porumboiu é um ácido anti-filme policial. Uma fita simples, com narrativa lenta, diálogos engraçados e uma estética realista – de observação, com planos abertos e estáticos e poucos movimentos de câmera.
O diretor, vencedor da Mostra “Un Certain Regard” em 2005 com A LESTE DE BUCARESTE, apresenta a história de Cristi, um policial que encontra dificuldades em aplicar em um caso concreto a lei da qual é, por definição, defensor. Ele foi designado para investigar um adolescente que todos os dias, depois da aula, fuma maconha com alguns amigos na saída da escola e precisa averiguar se o delito é apenas o uso da droga ou também tráfico. Ele conclui que o rapaz não é um traficante, mas não tem como provar. Ainda assim, ele se recusa a fazer uma operação de flagrante, pois não acha justo que o rapaz perca alguns anos de sua vida na prisão sem grandes justificativas.
No desempenho de seu trabalho, registrado com a mesma lentidão da câmera, o protagonista encontra contratempos burocráticos e descaso dos colegas, mas seu verdadeiro problema será o confronto de seus valores morais com suas obrigações funcionais, em cena antológica desempenhada com maestria pelo trio de atores Dragos Bucur, Vlad Ivanov e Ion Stoica, e pelo DEX – dicionário da língua romena.
Como a maioria dos filmes da retomada do cinema romeno, POLÍCIA, ADJETIVO consegue igualmente misturar seriedade e humor, drama e risadas. O timing cômico se estabelece principalmente através do tempo, do silêncio, do constrangimento, da aparente inutilidade de certos diálogos e das situações patéticas geradas por todos esses fatores. Porumboiu, obviamente, é hábil o suficiente para transformar o que seria monotonia em idéias cortantes e a idéia da falta de sentido numa aliada sempre temperada pelo sarcasmo.
Spoiler Rating: 89
LBC Rating: ~
Por Eduardo Valente (Cinética), Sofia Pleym (Grupo Folha) & Raquel Gandra (Consciencia.net)

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