Cannes é um desafio para Ang Lee. Ele é o único diretor que já ganhou dois Ursos de Ouro no Festival de Berlim – por O BANQUETE DE CASAMENTO e RAZÃO E SENSIBILIDADE – e dois Leões de Ouro em Veneza – por BROKEBACK MOUNTAIN e DESEJO E PERIGO. Em Cannes, onde concorreu em 1997 com TEMPESTADE DE GELO, nunca levou prêmio e tenta agora com TAKING WOODSTOCK, ondre mostra novamente sua fascinação pela cultura americana, tentando entendê-la e reinterpretando-a de forma muitas vezes mais contagiante do que outros diretores americanos fariam.

Seu filme mergulha, sem cinismo ou crítica, mas com honestidade entusiasmada, no Festival de Woodstock que, entre 15 e 18 de agosto de 1969, ofereceu “três dias de paz e música” com Janis Joplin, Jimmy Hendrix e Bob Dylan entre outros. O evento revolucionou o pequeno povoado de White Lake, perto de Nova York, invocando o otimismo dos hippies e uma certa utopia de paz e amor que virou simbolo de uma geração.

Lee recria o momento centrando-se na biografia de Elliot Tiber (Demetri Martin), que contou sua história num livro junto com Tom Monte. Junto à organização do evento, correm seu drama com a família e suas incertezas de vida, inclusive de opção sexual. O diretor fala de um mundo em transformacao e (re)cria uma utopia coletiva para retratar o destino individual desse garoto que, no desfecho, se poe na estrada para conhecer o mundo e viver a vida.

Quase nao se mostra música, mas ela está presente o tempo todo… O palco aparece longe e a multidão vira um mar de gente enquanto o garoto delira com LSD. O filme é repleto de belas imagens com cores simples (o verde dos campos, as camisetas coloridas dos jovens) e apoiado em um elenco de pequenas participações eficientes, como Liev Schreiber, Emile Hirsch e Paul Dano. Mas quem rouba a cena é a britânica Imelda Staunton como a histérica mãe de origem russa de Elliot.

Quanto a direção, não faltam méritos à Ang Lee para conseguir a inédita Palma de Ouro, mas sua fita parte com a desvantagem de ser, pelo tom e ambições, um filme “menor”; filmado sem grandes ousadias estéticas.

TAKING WOODSTOCK não chega a ser uma comédia, mas é um retrato leve, engraçado e colorido do famoso festival. Também não é documentário – sequer há cenas das bandas tocando no palco -, mas apenas um, entre tantos relatos pessoais dos últimos momentos de inocência de uma geração.

Spoiler Rating: 70
LBC Rating: ~

Por Luiz Carlos Merten (Grupo Estado), Orlando Margarido (Terra), Vasco Camara (Público PT), Thiago Stivaletti (UOL), Mike Collett-White (Reuters), Mateo Sancho Cardiel (Agência EFE), Diego Assis (G1), Silvana Arantes (Grupo Folha) e Agência AFP

This entry was posted on Saturday, October 10th, 2009 at 12:30 pm.
Categories: FILMES.

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