

Com PERSÉCUTION, Patrice Chéreau conta a história de um homem rancoroso, agressivo com os amigos, em crise constante com a namorada e que, de súbito, começa a ser perseguido e, em alguns momentos, acossado por um indivíduo estranho que se diz apaixonado por ele.
É, no mínimo, um triangulo amoroso inusitado… Charlotte Gainsbourg deixa Romain Duris e, em suspenso, na rua, espreita Jean-Hughes Anglade. Ele o segue para lhe dizer que o ama, que se comove com o sentimento de tanto amor. Uma relação que se esgota, outra que não chega a começar. É essa suspensão – desejos que não se encontram ou que desistem – que Chéreau consegue capturar.
É um filme em que tudo parece fora de lugar, sobre os tempos angustiados em que vivemos e sobre os limites da loucura e da obsessão. O perseguidor não tem nome. Não precisa. Vive um amor que se desenrola em Paris, imersa numa escuridão e planos médios que quase a apagam da imagem.
PERSÉCUTION explora as relações humanas em todos os níveis. Um filme que emerge nos labirintos da mente humana, por meio dos mecanismos psicológicos de perseguido e perseguidor. E quanto à paixão kamikaze de Anglade, Chéreau já a filmou, e já o filmou, de forma mais perturbante e menos “desenhada” no seu O HOMEM FERIDO (1983).
Spoiler Rating: 76
LBC Rating: ~
Por Luiz Zanin Oricchio (Grupo Estado), Leonardo Cruz (Grupo Folha), Vasco Câmara (Público PT), Neusa Barbosa (Cineweb), Alicia García de Francisco (Agência EFE), Mike Collett-White (Reuters) & Agências AFP, BBC e Image

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