Os maias previram o fim do mundo, mas foi Hollywood que tornou realidade. 2012, o épico de desastre de Roland Emmerich é gigantesco em sua fúria devastadora. E quanto maior, melhor: 2012 não é apenas um filme, mas o pastiche de todos os filmes de desastre já feitos ao longo das últimas quatro décadas, incluindo as fitas do próprio cineasta, tais como INDEPENDENCE DAY e O DIA DEPOIS DE AMANHÃ.

Pontuada por oito ou nove grandes cenas CGI, a narrativa tenta incluir todas as catástrofes possíveis e imagináveis, definindo cenas de ação em terra, água e ar; onde o herói (John Cusack) dirige cada veículo estapafúrdio por fogo, lava, nuvens de cinza, terremotos e tsunamis.

O filme é uma aventura típica de um passeio na Disneylândia, com todas as atrações criadas para descolar nosso estomago da costela, mas sem aquelas pausas para, digamos, respirar. Alguns podem considerar 2012 um passeio agradável e alegre. Outros podem considerá-lo uma série interminável de panes e explosões, mas ao longo de tudo, intencionalmente ou não, o filme percorre uma linha fina entre a comédia dark e o ridículo. O dialogo, pelo menos, é, digamos, diferente.

É, sobretudo, um filme família em escala global. Questões políticas são tão calculadas e vagas que não devem afetar ou ofender ninguém. Também não importa credo religioso. Idem para as raças. A narrativa equilibra cuidadosamente seus personagens em termos de etnia e nacionalidade (Ops! Quem é o vilão?).

O orçamento excede US$260 milhões. Claramente, o dinheiro não foi gasto com fama, já que o filme carece de grandes estrelas. Em vez disso, utiliza atores esforçados e atraentes, tais como John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Amanda Peet, Oliver Platt, Thandie Newton, Danny Glover, Woody Harrelson e Tom McCarthy.

Com argumento de Emmerich e Harald Kloser, a narrativa é baseada predominantemente em mitologia. Há séculos, o povo Maia determinou a data exata do fim do mundo, 2012, com todas as suas implicações e ramificações. Desde então, astrologos, numerologistas, geólogos, cientistas e governo não podem negar o cataclisma de proporções épicas que aguarda o destino da Terra em 2012. Resgatando elementos bíblicos, o roteiro tenta projetar um significado mais filosófico e político, mas fica no lugar comum, obedecendo às regras do gênero de catástrofe. Enquanto você prevê com bastante precisão quem sobrevive (e quem vai morrer), as únicas questões são, em que ponto da história eles, afinal, morrem e em quais circunstâncias específicas.

John Cusack centraliza a parte humanitária da trama. Interpreta um escritor falido, divorciado, que está em acampamento com os filhos. Ele trabalha para um magnata russo como chofer de limusine e sua esposa namora um cirurgião. Em contrapartida, a parte de conspiração governamental fica com o personagem de Chiwetel Ejiofor, incluindo sua relação com o presidente humanitário e sua filha atraente.

São, enfim, várias pessoas soterradas em efeitos especiais. 2012 é o recordista em numero de catástrofes e monumentos destruídos e é nítido que foi projetado para superar qualquer filme de desastre anterior. A pretensão se cumpre: 2012 é entretenimento de massa baseado em destruição de massa.

Spoiler Rating: 62
LBC Rating: ~

This entry was posted on Saturday, November 14th, 2009 at 9:06 pm.
Categories: FILMES.

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