“Por ser estreita a senda – eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma”

Ao longo de duas décadas, Clint Eastwood se tornou um dos cineastas mais versáteis, confiáveis e produtivos do cinema americano. Uma tripla conquista que não pode ser subestimada. Com INVICTUS, Eastwood continua sua exploração por temas humanistas, uma ponte entre o domínio pessoal e político, resultando numa filmografia socialmente relevante e emocionalmente envolvente.

INVICTUS é uma historia de inspiração factual. Um plano ambicioso do Presidente Nelson Mandela (Morgan Freeman) que ao juntar forças com o capitão da seleção de rúgbi da África do Sul, Francois Pienaar (Matt Damon), uniu o país num momento mais crucial de sua história, em 1995, após ser eleito como chefe de estado, depois de 27 anos vividos na prisão.

E o que poderia ter sido nas mãos de outro diretor um entretenimento meloso, previsível e sentimentalista; É, aos olhos de Eastwood, um conto subliminar, sutil e direto de um político sagaz e carismático que compreendeu a linguagem universal do esporte e o seu papel fundamental na reunificação da África pós-apartheid.

Depois dOS IMPERDOÁVEIS e MENINA DE OURO, essa é a terceira parceria entre Eastwood e Morgan Freeman e é bom vê-lo como protagonista depois de tantos papeis coadjuvantes, num desempenho minimalista e carismático que pode lhe render um segundo Oscar de Interpretação.

Na contramão, Matt Damon é sabotado pelo roteiro que o coloca numa parte crucial, mas passiva da historia, apagando seu talento, já que tudo fica (está) vinculado e conduzido por Nelson Mandela.

No geral, INVICTUS não é tão emocionante ou visualmente impressionante quanto MENINA DE OURO e CARTAS DE IWO JIMA, duas fitas de Eastwood agraciadas pela crítica. Mas é o tipo de filme que agrada nas Premiações: Um conto pungente – embora não biográfico – politicamente relevante em seus elementos específicos e amplamente humanista nas suas notas gerais.

Quando a história começa, no Domingo, 11 de Fevereiro de 1990, Nelson Mandela é libertado da prisão e viaja em um comboio que passa entre dois esportes exilados em campos diferentes. Em um, jovens brancos em uniformes elegantes jogam rúgbi. No outro, crianças negras chutam uma bola de futebol. Ao mesmo tempo, Eastwood e o roteirista sul africano Anthony Peckham oferecem a metáfora de uma nação dividida ao longo de linhas raciais e uma dica de que o esporte será a estratégia de Mandela para aproximar sul-africanos.

É um roteiro estruturado em uma narrativa clássica, com clara divisão em capítulos ou fases, todos conducentes a um convidativo final: O grande jogo propriamente dito, que ocupa todo o último rolo. É uma história simples, não muito complexa, com poucos personagens e design visual funcional.

Pode ser considerado obsoleto, mas tudo na fita, incluindo os atores e a produção técnica está a serviço do filme e promovem uma progressão linear até um excitante final. Nada é exagerado para alcançar efeitos emocionais baratos. Eastwood é um diretor “limpo”.

INVICTUS é uma boa história, muito bem contada. Um filme inspirador, de trajetória previsível, mas que brilha em cada cena com detalhes surpreendentes que se acumulam numa malha repleta de emoção e impressões culturais. Tudo a serviço de Nelson Mandela, de Morgan Freeman, de seu manifesto, de sua individualidade e inegável sinergia em tela.

Spoiler Rating: 83
LBC Rating: ~

This entry was posted on Sunday, December 6th, 2009 at 10:14 am.
Categories: FILMES.

One Comment, Comment or Ping

  1. Tenho a impressão que “Invictus” ficou aquém do esperado e não representa um Eastwood em sua melhor forma, entretanto parece ser o típico filme que a Academia adora reconhecer (inspirador e previsível).

Reply to “Invictus”


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