Com NINE, Rob Marshall apresenta um musical vibrante e provocativo que acompanha a vida do famoso diretor de cinema Guido Contini (Daniel Day-Lewis) em profunda crise criativa e pessoal, às voltas com inúmeras mulheres, incluindo sua esposa (Marion Cotillard), sua amante (Penelope Cruz), sua musa no cinema (Nicole Kidman), sua confidente figurinista (Judi Dench), uma jovem jornalista de moda americana (Kate Hudson), a prostituta de sua adolescência (Stacy “Fergie” Ferguson) e sua mãe (Sophia Loren).

As origens da fita é a produção da Broadway de 1982, indicada a doze prêmios Tony e vencedora de cinco, incluindo Melhor Musical, que foi dirigida por Tommy Tune, coreografada por Thommie Walsh, protagonizada por Raúl Julia, com música e letras de Maury Yeston. A reapresentação na Broadway, em 2003, com Antonio Banderas, recebeu oito indicações ao Prêmio Tony e ganhou dois, incluindo Melhor Revival. Mas a grande base de tudo é a obra prima 8½ de Federico Fellini, de 1963.

E dado sua história e a profissão do protagonista, o musical encontrou lugar ideal para mais uma adaptação, agora no cinema. E dado ao pedigree da produção, o elenco é estelar. E não somente todos atuam como cantam também!

A primeira grande cena, nos estúdios Cinecitta de Roma, situa logo o método estilizado de toda a fita, com as mulheres de Guido abrindo caminho até o palco gigante e inacabado e digladiando-se pelo filme que ele sequer escreveu. O embate é musical e Guido é o Sol em torno do qual suas inúmeras amantes circulam repletas de turbulência e cada qual, explorada com tempo, atenção e apimentadas com uma sexualidade visual e estilosa. Criações brilhantes adornadas com milhares de cristais Swarovski. Verdadeiras mulheres fatais.

E Day-Lewis mais uma vez coloca o público na palma de sua mão para, em seguida, colocá-lo no bolso. Ele enfatiza a consciência humorística do personagem e sua posição na vida. Ele canta. Faz graça. Dá show.

Aliás, todos dão show: Exceto por Cotillard, que tem duas, todas as mulheres se apresentam na vida de Guido por uma simples canção que são apresentadas em números espetaculares de dança e coreografia.

Cruz se delicia num flerte de seda rosa e espelhos com “A Call From the Vatican”. Logo depois vêm “Folies Bergere”, uma celebração de sonhos e sensualidade de Lilli (Dench), a figurinista e confidente de Guido; “Be Italian” é a excitante canção de Fergie, a prostituta que desvirginou Guido na adolescência. “My Husband Makes Movies,” é o lamento de Cotillard sobre a importância da profissão de seu marido acima dos interesses dela. “Cinema Italiano” é uma ode a Itália pela jornalista de Hudson; A canção de ninar “Guarda la luna” de Loren é um tributo de mãe para filho; “Unusual Way” é a confissão do affair de Kidman por Guido e, por fim, com “Take It All”, Cotillard lembra brutalmente o marido da mulher sexy que ele está perdendo.

Algumas outras canções da Broadway foram adaptadas ou descartadas e o desfile de mulheres deslumbrantes é interrompido pelas próprias canções de Guido, como na egocêntrica “Guido´s Songs”; “I Can’t Make This Movie”, onde ele praticamente desiste de tudo e “Find Another Genius”, onde ele desafia o mundo a ouvi-lo.

A fotografia oscila entre P&B e Colorido e, como no filme de Fellini, Guido está em constante movimento e cantoria, sem um instante para respirar, quanto mais para escrever um roteiro. NINE trata dessa disfunção do diretor sem ser pretensioso. Com uma elipse de 45 anos, os dias gloriosos do cineasta italiano são tratados mais como uma diversão caótica do que uma remake chique ou adaptação filosófica, e o deleite do elenco – ou deslumbre diante da elegância de Loren – é claramente visto em seu desempenho.

NINE abraça ambas as suas fontes: O espetáculo da Broadway – A genialidade de Fellini. O resultado é um filme de várias vozes, de vários autores, de vários momentos inesquecíveis. Todos captados no jeito “razzle dazzle” de Rob Marshall.

Spoiler Rating: 86
LBC Rating: ~

This entry was posted on Sunday, December 6th, 2009 at 5:16 pm.
Categories: FILMES.

5 Comments, Comment or Ping

  1. bruno

    a crítica de vcs é só elogios e o filme só ganha 86? me expliquem…

  2. Bruno: Há algumas falhas de roteiro que justificam a perda de 14 pontos na nota. A crítica é, sim, positiva por compreender que num musical, não cabe muito espaço para composição dos personagens, mas como o site avalia cada critério separadamente, a fita perdeu pontos em roteiro.

  3. Jake

    Poderia fazer um ranking das performances? ‘-’

  4. Victor

    Copiar aqui uma conversa que eu tive com um amigo sobre Nine, logo após ver o filme:
    é notadamente um filme mediano
    percebe-se claramente seus altos e baixos
    os pontos ruins
    sao bem ruins msm
    tipo a presença altamente descartavel da sem-expressão por causa do botox SOPHIA LOREN
    ou a voz incomodante do daniel day lewis cantando
    mas os momentos bons
    sao de se arrepiar e chorar de emoção
    tipo
    a cena da fergie
    foi a minha predileta
    junto com todas as cenas que apareceram marion e penelope
    essas tres salvaram o filme
    a marion ta simplesmente perfeita!!
    as duas musicas dela (uma indicada a oscar) estão sensacionais
    e a penelope cantando ou interpretando arrebenta
    a nicole kidman ta dispensavel
    poderia so ter sido citada msm
    o filme é salvo pelas tres e pelas SENSACIONAIS cenas de abertura e fechamento

  5. Bruno

    O filme só não é pior por causa de Marion, Penelope e Fergie. Nem quero comentar o desempenho de Nicole e Sophia!

Reply to “Nine”


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