

Um executivo distante e extravagante, cujos milhões de milhas aéreas não são suficientes para mantê-lo acima de sua turbulência emocional é o tema de AMOR SEM ESCALAS (UP IN THE AIR). Um filme astuto e envolvente sobre existencialismo, turbinado pela química de George Clooney e Vera Farmiga.
Depois de OBRIGADO POR FUMAR e JUNO, Jason Reitman torna claro vários aspectos culturais do zeitgeist contemporâneo e, ao lado de Alexander Payne, se torna um dos cineastas mais sarcásticos e irônicos de Hollywood. Seu AMOR SEM ESCALAS é um dos melhores filmes de 2009. Uma estória relevante, bem interpretada, pessoal e muito divertida. Uma verdadeira sátira socioeconômica, embora de uma forma menos comicamente convulsiva.
Apresentando George Clooney em sua mais profunda e sincera interpretação, a fita foi aclamada em Premiere mundial nos Festivais de Telluride e Toronto em tempo para a Temporada de Ouro das Premiações. Uma estratégia correta que pode lhe render seis indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Diretor (Jason Reitman), Roteiro, Ator (Clooney) e dupla indicação em Atriz Coadjuvante (Vera Farmiga e Anna Kendrick).
Aqui, Clooney interpreta o tal executivo (Ryan Bingham), um homem de machado corporativo que tem a tarefa de demitir funcionários para cortar os gastos das empresas. Ele está sempre bem limpo, barbeado e elegante em seu terno e gravata e ama a sua vida em trânsito.
No entanto, não deve ser surpresa que Ryan gaste a maior parte do seu tempo (e dinheiro da empresa ) em vôos de primeira classe (American Airlines), hospedado em hotéis (Hilton) ou em carros alugados (Hertz). Aqui está um homem, que foi convencido a projetar uma imagem e estilo de vida irrestrito. Rico, mas emocionalmente sem teto, ele é forçado a lutar por seu trabalho quando sua empresa estabelece limites em seu orçamento de viagens.
Aos roteiristas coube explorar, não o estereótipo de Ryan, que teria sido muito fácil, mas como ele reage a certas circunstâncias em torno dele, incluindo o desenvolvimento de dois personagens femininos que, no devido tempo, usarão seus próprios meios para extrair o protagonista de seu casulo de individualidade.
É, sobretudo, uma saga de meia idade. Ryan é um homem na encruzilhada. Perante a perspectiva de ser imobilizado, ele começa a pensar sobre outras conexões: Uma casa. Sua família e até mesmo casamento…
AMOR SEM ESCALAS não é um filme perfeito ou impecável: O final é um pouquinho suave e convencional, tendo em conta o espetacular e afiado começo. Além disso, falta a Reitman, assim como Payne, um estilo visual distinto. Mas é apenas seu terceiro filme e é elegante, hilário, trágico, romântico, real, esperto e inteligente. Já é suficiente!
Spoiler Rating: 93
LBC Rating: ~

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