


Sete anos depois de ganhar o Prêmio do Júri com seu filme anterior, INTERVENÇÃO DIVINA, o cineasta palestino Elia Suleiman retorna a Cannes com sua nova obra, O QUE RESTA DO TEMPO (THE TIME THAT REMAINS).
O filme tem o mesmo tom do anterior, um retrato leve e agridoce da ocupação palestina – dessa vez em um tom mais autobiográfico, apresentando na tela a vida do próprio cineasta, que retorna à casa de seus pais e conta, como em um longo flashback, uma história na qual a política e as lembranças íntimas se misturam. Elia Suleiman, tradicionalmente, atua em seus próprios filmes e aqui cria um personagem mudo e melancólico, que simplesmente observa o tragicômico do mundo ao seu redor.
Suleiman tem um talento inegável para compor planos memoráveis, como um campo de prisioneiros palestinos ajoelhados, amarrados e vendados que recebem todos um gole de água de uma única freira que os ajuda; ou um homem que é “perseguido” pelo cano de um tanque enquanto conversa tranquilo no celular, no meio da rua.
A relação de Elia com os pais é construída na mais fina ternura. Quando ele vê o pai cochilar subitamente pela primeira vez, se dá conta de que ele envelheceu, e ele mesmo também já não é mais um jovem. É um filme ao mesmo tempo forte e carinhoso.
Com um tom delicado e bem-humorado, Suleiman homenageia de forma explícita o cineasta francês Jacques Tati, no modo como acompanha tudo, baseado em sua própria figura parada e nos olhos fixos no plano da câmera. É um belo trabalho e uma poderosa reflexão sobre a realidade do Oriente Medio, mas a tristeza vai além da politica o que torna O QUE RESTA DO TEMPO, uma experiencia rara.
Spoiler Rating: 82
LBC Rating: ~
Por Thiago Stivaletti (UOL), Luiz Carlos Merten (Grupo Estado), Vasco Câmara (Público PT), James Mackenzie (Reuters), Silvana Arantes (Grupo Folha) & Agência AFP

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