


O neo-realismo e o movimento dogma se confundem em A PEQUENINA (LA PIVELLINA), de Tizza Covi e Rainer Frimmel. O filme é uma perola cinematográfica. Um pequeno espetáculo que mergulha de forma tocante e humana na historia de uma menininha abandonada e uma trupê de circo.
Covi, italiana, e Frimmel, austríaco, são fotógrafos de formação, que trabalham juntos há mais de 15 anos e haviam realizado até hoje dois documentários (THAT’S ALL e BABOOSKA), ambos premiados internacionalmente. A PEQUENINA é seu primeiro longa de ficção, mas traz raízes profundas do cinema documental.
A narrativa orbita em torno de Patti, uma senhora de meia idade, de cabelos vermelhos, artista de circo que ao sair para procurar seu cachorro, encontra a “pequenina” Asia, de apenas dois anos, sozinha em um parque. Como não há sinais dos pais da criança, Patty decide levar a menina para sua casa, um velho trailer na periferia de Roma. Na esperança de que sua mãe logo virá buscá-la, Patty passa a cuidar da criança, com a ajuda de Walter, um palhaço alemão e arremessador de facas, e do adolescente Tairo, filho de um domador de leões.
O filme foi todo rodado em super-16, câmera na mão, com luz natural, som ambiente e planos simples. A fotografia é granulada, sempre a serviço dos personagens, com inegável inspiração pelo neo-realismo italiano. A dupla de diretores consegue, com um belo time de atores/personagens, construir uma obra sensível, honesta, desprovida de artifícios, que revela a intimidade daquela pequena comunidade.
Mas é a pequena Asia que brilha. A menina é uma delícia: Brilhante, engraçada, teimosa, e (talvez um pouco demais) determinada para ficar com Patti, em vez de voltar para a “mamma”. Como é de se esperar, algumas das seqüências mais elegantes são aquelas que têm pouco a ver com o enredo e aparecem totalmente improvisadas – incluindo uma cena onde Walter ensina Tairo a boxear.
Spoiler Rating: 83
LBC Rating: ~
Por Sofia Pleym (Grupo Folha) & Agências Auteurs, AFP, BBC e EFE

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