Dois homens, vizinhos em Norristown, são dedicados aos seus hobbies. Jack Salmon (Wahlberg), ama construir pequenos navios em garrafas. Do outro lado da rua, George Harvey (Tucci) gosta de construir casa de bonecas — delicadas e perfeitamente mobiliadas, mas vazias… Ele também criou uma salinha subterrânea, cheia de quadrinhos, figurinhas e coca-cola. Uma espécie de clubinho para crianças. Uma criança. Susie…
“Eu tinha 14 anos quando fui assassinada”. Assim Susie narra sua morte no apreensivo UM OLHAR DO PARAÍSO, a aguardada versão de Peter Jackson para o best seller de Alice Sebold. A garota, que desapareceu numa tarde e provavelmente foi raptada ou morta, fala para nós, diretamente do céu, ou limbo, ou paraíso. Um reino de fantasia, repleto de arbustos de pingüins e esculturas de navios de gelo, onde os campos de trigo tornam-se pântanos encharcados e o Outono vira Inverno num flash de folhas caídas.
E assim é o cativante filme de Jackson: Um filme de vários mundos, ora primorosos, ora frustrantes, ora sufocantes, onde a inocência de Susie brilha, a depravação de Harvey é meticulosa e a determinação de Jack é feroz na tentativa de descobrir o destino de sua filha.
E como o pai de Susie e seu assassino, Jackson também constrói modelos e convida as crianças de todas as idades para compartilhar suas obsessões. Desta vez, recriou a Pensilvânia rural na sua nativa Nova Zelândia e lá inseriu seus personagens para brincar a vontade. Seu filme é um olhar de como Harvey devastou uma família: Susie, Jack, sua esposa Abigail (Weisz) e sua filha sobrevivente Lindsey (Rose McIver).
Há elementos de horror aqui — imagine um PSICOSE suburbano — e ecos de ALMAS GÊMEAS, estudo do próprio cineasta sobre outro assassinato que lançou Kate Winslet ao estrelato. Mas essencialmente essa é uma historia de amor e luto – Sobre como e por que Susie se foi, um tumor que sua família carrega num coração coletivo. É também um romance de pai e filha, um espécie de pré post-mortem.
O enredo tem algumas armadilhas: Jack, que acusou dezenas de homens como raptor potencial de Susie, leva anos para notar seu próprio vizinho. E Abigail parte e reaparece com poucas razões, mas apesar do ritmo problemático, a criatividade de Jackson é exuberante em soluções e seu filme é embalado de belos momentos.
Tucci desempenha um assassino, não com escárnios de loucura, mas com malevolência silenciosa. Um homem de gelo que finge ser normal. Wahlberg e McIver estão memoráveis como o pai desolado e a irmã engenhosa. Já Weisz e Sarandon aparecem em pontas e pouco têm a acrescentar.
O centro, naturalmente, é Ronan. Seu personagem paira sobre a família como um anjo guardião e deixa uma forte impressão durante todo o filme, mesmo depois que Susie torna-se mais abstrata num céu surrealista, empolado de efeitos CGI faraônicos.
UM OLHAR DO PARÁISO é um filme não só carregado de lágrimas, mas de imaginação, emoção e verve. Jackson conseguiu capturar a essência obscura da novela mesmo ao compactar o desenvolvimento da maioria de seus personagens satélites as voltas do magnetismo de Saiorse Ronan.
Spoiler Rating: 75
LBC Rating: ~

3 Comments, Comment or Ping
Vinícius P.
Infelizmente não consegui ver nada de muito positivo em relação a esse filme, que para mim falha miseravelmente em todas as suas pretensões – nem mesmo o espetáculo visual compensa.
Feb 20th, 2010
Maurício
Sinceramente, se descartassem as cenas do paraíso (ou refizessem o CGI fake), o filme melhoraria consideravelmente
Feb 20th, 2010
danilo
eu achei o filme bem legal…
peca em alguns sentidos…
Mas tambem tem suas qualidades, mas pelllo fato de peter ter sido o primoroso diretor do primoroso Senhor dos aneis ele deixa a desejar nesse filme…
talvez pelo roteiro, nao sei…acho o final suuuuper frustrante…
Sabe akeles filmes que voce fica torcendo pra acontecer algo e acontece tudo ao contrario….
Acho o filme Bom, um elenco bom, trilha boa, direção de arte magnifica, mas deixou a desjar em algumas partes…
Feb 21st, 2010
Reply to “Um Olhar do Paraíso”