“Este não é um lugar para os fracos
Não é um lugar para os que perdem a cabeça
Nem um lugar para ficar para trás
Levanta teu coração cansado e faz um último esforço”
“The Weary Kind” (tema de CORAÇÃO LOUCO)


Como uma engenhosa e terna canção country, composta de partes iguais de paixão, humor e problemas, CORAÇÃO LOUCO (CRAZY HEART) é o retrato de um homem que viveu de maneira difícil, rápida e alucinada, mas que se perdeu no tempo. Jeff Bridges vive esse homem solitário num desempenho cliché-free. Seu Bad Blake é um cantor de música country fracassado, que viveu diversos casamentos, algumas turnês de quinta categoria e por muitas bebedeiras.

O roteirista e diretor Scott Cooper, um profundo conhecedor das lendas do country e seus temas agridoces, marca sua estréia explorando um reflexo dos gigantes do gênero que cresceu idolatrando, apesar de suas vidas transloucadas e impulsos terríveis. Seu personagem talvez tenha algo de maldade; pode ser rude, irresponsável, bêbado e ridículo, mas, ao mesmo tempo, tem o dom da narrativa, é um romântico irremediável, uma alma necessitada, um homem que finalmente se mostra disposto a buscar a redenção quando tudo parece perdido.

A vida de Bad Blake poderia transcorrer sem quaisquer mudanças em pequenas turnês de bar em bar, de um trago de bebida ao outro, sem ter conhecido Jean Craddock, uma jovem jornalista de Santa Fé. No entanto, quando a conhece, ele está destinado a se converter em alguém melhor do que fora durante toda a vida. Mas é um amor difícil, quase louco: Ela é mãe solteira e arrependida e ele, um fracassado e beberrão. Sua tentativa nesse sentido se converte no retrato cru de um homem que finalmente tem de enfrentar as próprias limitações como ser humano.

E é nesse papel que Bridges desaparece para surgir na pele de outro homem, expondo a genialidade e as falhas de Blake, um cachorro velho que não sabe se pode aprender truques novos. Um homem acostumado a passar por montanhas e precipícios, velhas estradas do oeste americano, salões de baile, cervejarias e boliches de subúrbio para cantar antigos sucessos para velhos tão bêbados e tristes quanto ele.

O filme é todo embalado em country rock. Melodias surgidas da alma e da experiência de T Bone Burnett, ao lado de canções do falecido compositor texano Stephen Bruton. A canção tema, inclusive, “The Weary Kind”, ganhou o Oscar da categoria. CORAÇÃO LOUCO é um filme – um homem – que se conta (se canta) por rima e refrão.

Spoiler Rating: 87
LBC Rating: ~

This entry was posted on Tuesday, March 9th, 2010 at 5:23 pm.
Categories: FILMES.

One Comment, Comment or Ping

  1. Quero muito, muito ver este filme, apesar de nem todos os comentários sobre a obra serem bons. Mas, admiro o Jeff Bridges e gosto da temática do longa, então espero gostar dele!

Reply to “Coração Louco”


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