

Misturando humor, graça e comoção, GET LOW lança um feitiço quase irresistível ao contar uma lenda urbana do Tennessee durante a depressão americana. Um constrangedor Robert Duvall se esconde sob a pele de Felix Bush, um notório eremita que reúne toda uma sociedade para seu próprio funeral. Apoiado por um elenco esperto e afiado que claramente saboreia o doce retrato de seus personagens, tudo conspira à favor de transformar esse pequeno e polido indie em uma das fitas mais charmosas do ano.
Felix Bush (Duvall) é um eremita de cabelos desgrenhados, sujo e mal humorado que é permanentemente insultado pela sociedade em torno dele. As crianças se aventuram até a sua reclusa cabana para atirar pedras e, quando ele próprio se aventura pela cidade, são os adultos que atiram pedras nele e, pior, em sua mula!
É uma situação desoladora que ele pretende por fim antes de morrer… Como o padre local se recusa a ajudá-lo, Felix busca auxílio na casa funerária de Frank Quinn (Bill Murray), cujo negócio está decadente pela falta de mortes em sua pequena cidade. É 1930 e os tempos estão difíceis, mas Felix pode consolá-lo com o seu grande plano: Um falso funeral, onde cada pessoa que tenha ouvido cada história terrível sobre o recluso possa (re)contá-la em seu leito de morte – enquanto ele próprio ainda está vivo no caixão.
Seria ele um fugitivo? Um assassino? Algo pior? E a questão mais importante: Porque foi odiado por 40 anos? É claro que Felix tem alguns esqueletos no armário, prontos para sair quando alguém se dispuser a ajudá-lo. E essa pessoa pode ser o agente funerário falido, seu assistente de bom coração (Lucas Black), uma velha amiga (Sissy Spacek), um padre preocupado (Gerald MacRainey) ou um pregador nonsense (Bill Cobbs). Mas a tarefa é mesmo de Felix que deve limpar o seu passado, embora seja difícil alguém se propuser a escutá-lo.
É um filme pequenininho, melancólico que marca a estréia de Aaron Schneider na direção de longa-metragem. Uma direção discreta, sincera e satisfatoriamente confiante na forma como conduz esse conto de pequenas pessoas, mas convincente. A historia – o roteiro – é uma fábula profunda e surpreendentemente esclarecedora sobre a dor, culpa, perda e solidão, e como – com sorte – nunca é demasiado tarde para ganhar um pouco de amizade e perdão.
Tecnicamente, os detalhes de época são impressionantes. Não somente é um filme belíssimo de ver, mas também tem um senso astuto de timing, fruto da harmonia do humor manhoso e dos momentos agridoces entre Duvall e Spacek. Então, a cortina de fumaça se desfaz e finalmente enxergamos que qualquer um pode dizer qualquer coisa e ainda assim ela não consegue ser pior do que o próprio testemunho de Felix sobre si mesmo.
GET LOW não é um filme de arranque rápido, de risos imediatos e intriga. Em vez disso, é uma história maravilhosa, cujo ritmo se constrói a partir do menor pedaço de um universo inegavelmente inteligente, engraçado, e comovente sobre um homem em busca de compreensão.
Spoiler Rating: 89
LBC Rating: ~

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