O ritmo cardíaco da competição de Cannes 2009 se acelerou quando foi exibido O PROFETA (UN PROPHÈTE), de Jacques Audiard.

Trata-se de um diretor muito discreto com apenas cinco longas em 15 anos – REGARDE LES HOMMES TOMBER, UN HERÓS TRÈS DISCRET, NOS MEUS LÁBIOS e DE TANTO BATER O MEU CORAÇÃO PAROU – mas quando decide aparecer, a euforia toma conta. Foi efusivamente aplaudido em Cannes, onde competiu pela Palma de Ouro. Depois foi aplaudido nos Festivais de Toronto, Telluride, Londres e Sundance.

É a reação física à turbulência da tela. É a reação perante o trabalho de um cineasta que filma como se revelasse um mundo novo. É assim que se iluminam os filmes de Audiard, é assim que ele ilumina seus personagens. Todos construídos com sangue, suor e lágrimas – e traição.

O PROFETA é um filme de prisão. É um filme de máfia, Um filme que se movimenta em vários gêneros e que dá atenção aos personagens. Parece mais com um western, mas é, sobretudo, o épico trabalho de (re)construção de um prisioneiro, árabe, iletrado, desabrigado, quase angelical, condenado a seis anos de prisão que, nesse tempo, vai navegar entre os vários poderes e leis instituídos no cárcere, estabelecendo cumplicidades antagônicas, ficando à mercê de uma gangue que controla a prisão sob a lei do “pai”, um velho corso mafioso que controla o presídio (Niels Arestrup), até conseguir afirmar, determinadamente, a sua identidade: O protótipo de uma nova ordem criminosa – O irônico “profeta” do título.

Audiard foge de todos os clichês e cria um filme intenso e cheio de ritmo, repleto de qualidades narrativas e poética insólita, no qual é impossível não simpatizar com o protagonista, interpretado por um quase desconhecido, Tahar Rahim. Audiard dizia, e entende-se, que era necessário ter um ator que ninguém conhecia para conseguir fazer o que ele queria: Um novo “cinema de gênero”. Tahar Rahim se transforma na tela e é, agora, uma promessa do cinema francês. Ele cria um grande personagem num filme cheio de nuance

Audiard reinventou o cinema. Seu O PROFETA é um grande filme.

Spoiler Rating: 90
LBC Rating: ~

Por Luiz Carlos Merten (Grupo Estado), James Mackenzie (Reuters), Thiago Stivaletti (UOL), Mateo Sancho Cardiel (Agência EFE), Orlando Margarido (Terra), Vasco Camara (Público PT), Silvana Arantes (Grupo Folha) e Agência AFP

This entry was posted on Wednesday, June 2nd, 2010 at 11:04 am.
Categories: FILMES.

3 Comments, Comment or Ping

  1. Esse filme chega por aqui com o Festival Varilux!
    Mal posso esperar para assistir. Vale também levar em consideração o fato do francês ser um muçulmano que cresce na Europa. Qualquer filme que trate disso, em tempos como estes, tem que ser levado em consideração. Sendo essa a idéia principal do filme ou não.
    Como entre os muros da escola quem sabe O Profeta não trata dos imigrantes marginalizados que vivem na França.

  2. Quero muito conferir este filme!

  3. Sem dúvida um grande filme, especialmente dentro desse gênero de “filmes de prisão”.

Reply to “O Profeta”


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