Na historia, o SEGREDO DE KELLS é um livro; Na animação de Tomm Moore, o segredo é o delicioso desenho: Um padrão rico de animação, ornamentado com hachuras, curlicues e texturas extravagantes.
Aqui, riqueza e simplicidade convivem em harmonia. Os olhos viajam exaltados e curiosos por cruzes célticas, florestas encantadas e arquiteturas monásticas. Um deleite visual em cenários delicadamente lavados. Curioso que os próprios personagens se apresentam em uma variedade de formas e matizes: Alguns são bonitos, alguns são sinistros, alguns angulares, alguns rechonchudos. Uns lembram robôs de ficção científica e outros parecem fadinhas de anime japonês.
O resultado é um filme artesanal de pequenos segredos e surpresas. Um belíssimo conto de fadas sobre as desventuras de um jovem e um misterioso manuscrito medieval – o tal livro de Kell. O volume contém ricos ensinamentos da historia da civilização irlandesa. Tudo ricamente ilustrado. E é apropriado que um filme em causa do poder e a beleza do desenho – uma magia quase sagrada de cor e linhas – seja tão maravilhosamente desenhado.
Trata-se de um cartoon para crianças, jovens e adultos sobre um noviço aprendendo a seguir seus sonhos e a lutar pelo que é certo. Seu nome é Brendan e ele, naturalmente, vive em Kells, uma abadia supervisionada pelo seu tio Cellach que, temeroso pelas sanguinolentas invasões vikings, fortifica sua vila com gigantescas muralhas, abafando qualquer expressão de leveza e alegria. Até Aidan aparecer…
Porque o monge refugiado da ilha de Iona traz consigo um manuscrito incompleto que espera terminar. Brendan, em desafio ao tio, ajuda o visitante: Primeiro em busca de bagas de tinta. Depois em busca de um misterioso cristal. Em ambos os casos, auxiliado por uma menina fada que vive na floresta.
Paganismo e cristianismo se confundem num leve espírito de sincretismo. O SEGREDO DE KELLS mistura folclore e historia sem piedade ou violência. A natureza exata do manuscrito – o verdadeiro livro de Kells que contém os quatro evangelhos do Novo Testamento – é deixado vago. E a brutalidade dos terríveis saqueadores é apenas sugerida graficamente.
O SEGREDO DE KELLS imediatamente estabelece Moore como um mestre absoluto de seu ofício – Um contador de histórias e artista visual do mesmo patamar de Michel Ocelot e Sylvain Chomet. É merecido em vista da mensagem simples e universal de seu filme de estréia.
Spoiler Rating: 83
LBC Rating: ~

2 Comments, Comment or Ping
Kamila
Eu não tinha ouvido falar neste filme até ele ser, surpreendentemente, indicado ao Oscar. Desde então, tenho vontade de conferí-lo.
Jun 11th, 2010
Vinícius P.
Uma das animações mais curiosas desse último, mas não sou dos maiores fãs do filme.
Jun 11th, 2010
Reply to “O Segredo de Kells”