TOY STORY entrou para a história em 1995 como o primeiro longa-metragem de animação produzido integralmente em computação gráfica. Representou um marco, portanto, não só em termos de animação, mas também de arte.

“TOY STORY deixou uma marca valiosa na história do cinema”, afirma Rich Ross, chairman do The Walt Disney Studios. “Ele foi produzido dentro do mesmo espírito pioneiro associado ao estúdio, revolucionando as áreas da tecnologia e – ainda mais importante — da narrativa. Buzz, Woody e os brinquedos conquistaram instantaneamente os corações de pessoas de todas as idades — despertando o tipo de adoração e devoção tipicamente reservada para os personagens clássicos Disney. Os filmes TOY STORY ampliaram a audiência dos longas de animação e redefiniram as regras desse tipo de produção, provando que é possível fazer um filme com um apelo amplo e irrestrito. Na verdade, TOY STORY estabeleceu um novo parâmetro para o cinema — tanto de animação quanto live-action — que se seguiu.”

TOY STORY possui 77 minutos de animação espetacular, 1.561 tomadas e um elenco de 76 personagens que inclui seres humanos, brinquedos e um cachorro que foi meticulosamente desenhado à mão, construído e animado digitalmente. Ele foi o recordista de bilheteria de 1995, com uma arrecadação doméstica de quase US$ 192 milhões e internacionalmente, de US$ 362 milhões.

TOY STORY foi indicado a três Oscars – de Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Original e Melhor Canção, e John Lasseter recebeu um Oscar técnico especial pela “liderança inspirada à equipe da Pixar em TOY STORY, resultando no primeiro longa-metragem de animação feita por computadores”. Ele se tornou o primeiro filme da história a ser indicado ao Oscar com seu roteiro. Além disso, figurou na lista do American Film Institute dos 100 Melhores Filmes Norte-Americanos.

“Eu me lembro de quando lançamos TOY STORY”, afirma a produtora Darla K. Anderson. “Steve Jobs dizia que era o nosso “Branca de Neve” e a gente pensava: ‘Caramba, não seria ótimo se TOY STORY deixasse esse tipo de marca e fosse o tipo de clássico que encanta as pessoas e passa a ser parte de suas vidas, da sua infância, da vida das suas famílias’. Era a nossa intenção na época e continua sendo o objetivo de cada um dos nossos filmes”.

Em 1999, TOY STORY 2 (o terceiro longa-metragem da Pixar) se tornou o primeiro filme a ser inteiramente criado, masterizado e exibido digitalmente. O filme ultrapassou o original nas bilheterias e foi a primeira sequência animada a arrecadar mais do que o filme que o inspirou. Elogiado pela crítica e pelo público, foi indicado ao Oscar de Melhor Canção Original e a dois Globos de Ouro, vencendo inclusive o prêmio de Melhor Filme — Comédia ou Musical. TOY STORY e TOY STORY 2 fizeram sua estreia em Disney Digital 3D com o seu lançamento duplo especial, em 2009.


Na criação de TOY STORY 3, a Pixar reuniu exatamente a mesma equipe que tinha criado os dois filmes anteriores. Ao lado do diretor Lee Unkrich, trabalharam John Lasseter, Andrew Stanton, Pete Docter, Darla K. Anderson, Bob Peterson e Jeff Pigeon.

“Nós fomos até um lugar chamado The Poet’s Loft, em Tomales Bay, Condado de Marin”, relembra Anderson, “um pequeno chalé, onde a ideia do primeiro TOY STORY foi concebida. Andrew levou uma garrafa de um vinho especial com um rótulo TOY STORY que John nos havia dado de presente no lançamento do primeiro filme. Nós fizemos um brinde a Joe Ranft, nosso falecido amigo e estimado colega que fora o chefe de história do primeiro TOY STORY. Joe era um mestre na criação de personagens genuínos e pitorescos, cheios de amor e humor. Ele faz muita falta”.

Durante o retiro, os participantes assistiram na íntegra aos dois primeiros filmes TOY STORY, como referência, para ajudá-los na sua imersão naquele mundo outra vez. “Nosso objetivo, naturalmente, era fazer um filme à altura dos dois TOY STORY anteriores”, afirma Unkrich. “Na história do cinema, há poucas sequências tão boas quanto os originais, e nenhum de nós conhecia nenhum terceiro episódio excelente. Eu só conseguia pensar em SENHOR DOS ANÉIS – O RETORNO DO REI, mas que se parecia mais com o terceiro capítulo de uma única história longa e gigantesca. Foi aí que tive uma revelação: Nós precisávamos de três filmes TOY STORY para dar conta de uma grande história. Essa premissa foi a força-motriz que nos conduziu na criação de TOY STORY 3.”

Esse casamento dos três filmes se tornou, então, o segredo de TOY STORY 3. Ao final da sessão, a equipe tinha feito grandes progressos e Stanton, o guru de história/roteirista/diretor residente da Pixar (atualmente fazendo a sua estreia live-action em John Carter of Mars, da Walt Disney Pictures), ficou encarregado de escrever o argumento inicial.

“Nós estávamos otimistas”, afirma Unkrich. “Embora criar uma sequência à altura fosse um enorme desafio, éramos a mesma equipe que havia produzido os dois filmes anteriores. No segundo dia do retiro, surgiu o conceito de que o Andy tinha crescido. Nós também tivemos a ideia de fazer Woody e os outros brinquedos irem parar na creche, além do vermos Buzz reinicializado no modo demo. Andrew esboçou um argumento que deixou toda a equipe empolgada. Foi quando eu e Michael Arndt começamos a trabalhar mais seriamente na história”.

Para o roteirista vencedor do Oscar, Michael Arndt, o processo de trabalho com a equipe da Pixar foi muito feliz. “Eu assisti a todos os filmes da Pixar, e amo todos eles, mas a ideia de que eu poderia vir a trabalhar lá nunca tinha me ocorrido”, afirma Arndt. “Como espectador, tinha duas coisas que eu realmente admirava nos filmes deles. Primeiro, a completude das suas histórias. É raro vermos um filme em que todos os detalhes do roteiro são bem resolvidos, e os filmes da Pixar têm essa sensação agradável de profundidade e meticulosidade. Segundo, você sente uma alegria palpável no processo de produção de cada um dos filmes da Pixar — as tomadas panorâmicas, os cortes casados, os ângulos de câmera. Você sente que está assistindo a algo produzido por gente que é louca pelo que faz.”

Assim como todos os filmes geniais da Pixar, TOY STORY 3 combina comédia, ação e grandes emoções, dando aos espectadores uma experiência única e comovente que os emociona e diverte. A equipe de cineastas se baseou em suas próprias experiências pessoais e familiares para tornar a história ainda mais significativa e convincente.

Unkrich relembra que um dos pontos-chave da trama – um saco de brinquedos que é jogado no lixo – foi algo que mexeu fundo com a sua família. “Bem antes de termos filhos, minha mulher e eu vivíamos num apartamento em West Hollywood e estávamos de mudança para Pasadena”, relembra Unkrich. “Nós mesmos nos encarregamos da mudança, empacotando todas as nossas coisas e enchendo sacos de lixo com as coisas que não queríamos mais. E eu levei todos os sacos, compenetrado, para o container do lixo que fica atrás do nosso prédio, incluindo um saco grande em especial. Algumas semanas depois, quando estávamos desempacotando a mudança na casa nova, minha mulher me perguntou se eu tinha visto os bichos de pelúcia dela. Ela não conseguia encontrar nenhum dos bichos de pelúcia da sua infância, que ela vinha guardando há anos. Eu perguntei a ela em qual caixa eles estavam e ela disse que eles não estavam numa caixa, estavam num saco de lixo — um saco grande. Eu senti um buraco no estômago porque, na hora, eu entendi o que tinha acontecido e eu precisava encontrar um jeito de dar a notícia para ela. Eu não conseguia entender por que ela os havia posto num saco de lixo e ela não conseguia entender por que eu não conferi o que eu estava jogando fora. Após tantos anos, ela ainda não me deixa esquecer que eu joguei fora todos os seus queridos bichos de pelúcia. Então, eu acho que o momento em TOY STORY 3 quando a mãe do Andy leva o saco de lixo até a calçada imortaliza a memória dos brinquedos da minha mulher e, de uma maneira ínfima, seu fim num aterro sanitário não foi em vão.”

“Qualquer coisa que impeça os brinquedos de brincarem com a sua criança é fonte de ansiedade e preocupação para eles”, explica Lasseter. “E todos os filmes TOY STORY lidam com essas questões. Basicamente, no primeiro filme, Woody está preocupado com o fato de ser substituído por um brinquedo novo. Os brinquedos sempre ficam apreensivos com relação a dois dias do ano em especial, mais do que os demais — o Natal e o aniversário da sua criança. Em TOY STORY 2, os brinquedos são rasgados, quebrados e ninguém brinca com eles, pois são frágeis. Woody tem a chance de permanecer perfeito, mas sem nunca mais ser amado. É algo muito profundo. E, no terceiro filme, nós chegamos àquele momento que mais preocupa os brinquedos — quando a sua criança cresce. Quando você se quebra, pode ser consertado; quando fica perdido, pode ser encontrado; quando é roubado, ainda pode ser recuperado. Mas não há nada que dê jeito quando sua criança cresce. É uma evolução muito interessante na história.”

“O segredo desses filmes é que nenhum deles tenta repetir a mesma emoção ou a mesma história”, prossegue Lasseter. “Nós exploramos algo completamente diferente, com o mesmo elenco de personagens e o mesmo universo. E, por isso, conseguimos explorar emoções tão diferentes. Como os brinquedos estão vivos, eles se tornam adultos com preocupações adultas. Todo mundo se identifica com esses personagens. Ver o mundo através do ponto de vista de um brinquedo é uma coisa, mas vê-lo através da perspectiva de um personagem torna tudo mais profundo e emocionante. O público se identifica com coisas de suas próprias vidas. Este filme tem uma emoção e uma profundidade totalmente diferentes.”

Cortesia do Estúdio Disney/Pixar

This entry was posted on Wednesday, June 16th, 2010 at 1:56 pm.
Categories: MAKING OF.

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