
FLOR DO DESERTO abre com uma menina e um deserto. Uma menina de rosa no ermo somali. Há também uma cabra parindo o que remete ao clássico cazaque TULPAN, de Sergei Dvortsevoy. E nessa etnia multicolorida, nesse agreste humano, entre poeira e camelos, supõe-se que a fita de Sherry Horman seja, afinal, um “TULPAN de menina”.
Ledo engano… Corte para Londres: Uma cidade caótica, egocêntrica e vibrante. A menina de rosa cresceu. Virou mulher e em Londres, passa fome, passa frio. Mas em um dia de sorte, encontra Sally Hawkins repetindo sua adorável Poppy SIMPLESMENTE FELIZ. A estória, então, se transforma num conto de peixe fora d água. E entre ENCONTROS E DESENCONTROS de culturas diferentes, supõe-se então que esse filme seja UM LUGAR CHAMADO BRICK LANE, diríamos, africano.
Outro engano… A mulher é bonita, tem sorte e segue carreira de top model. Então o público, inquieto, assiste um conto de gata borralheira com uma Cinderela zulu para, no fim, se surpreender com outra reviravolta: O filme se torna sério e critica a mutilação da genitália feminina na Somália. Mutilação, essa, que traumatizou a protagonista para sempre.
E esse é o principal problema de FLOR DO DESERTO: Ao se dividir entre drama, documentário, comédia e denúncia, a fita se perde em partes. Tudo é superficial demais. Fácil demais o que surpreende ao notar-se que são fatos verídicos.
As atrizes, no entanto, são isentas de culpa. Liya Kebede expõe seus fantasmas, dilemas e dificuldades com sutileza e carisma. E Sally Hawkins rouba o filme com suas roupas esquisitas, suas explosões amalucadas e suas gags desajeitadas. Esse, afinal, é um filme de atriz. É natural, portanto, que Kebede e Hawkins sejam um alento como seria uma FLOR NO DESERTO.
Spoiler Rating: 63
LBC Rating: ~

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Kamila
Assistiria sem muitas expectativas.
Jul 2nd, 2010
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