

Apostando numa comédia negra com certa pitada de metafísica, o filme da roteirista e diretora Sophie Barthes tem enorme possibilidade de fazer sucesso no ano, caso algum distribuidor atento perceba o curioso roteiro e estilo visual único de ALMAS À VENDA (COLD SOULS).
Em competição em Sundance 2009, o título de Barthes narra a estória de Paul Giamatti como o próprio Paul Giamatti – um triste e ansioso ator de teatro que em crise existencial, decide explorar o inovador método de “extração da alma” para buscar alívio dos encargos diários de sua vida e pressões de seu espírito.
Embora o processo seja “ligeiramente” desconfortável para Paul, o ator sente-se imediatamente mais leve e menos estressado do que antes, o que é justo, afinal 95% da sua alma foi extraída, deixando-lhe apenas sentimentos ocos e vazios. E por sugestão do Dr. Flintstein (David Strathairn), Paul aluga a alma de um suposto poeta russo como substituta da sua.
Que má idéia… Como ele é afetado pelo desespero e alucinação do proprietário anterior, ele tenta recuperar sua antiga alma, mas descobre que foi roubada por Nina (Dina Korzun), uma traficante de almas russa. Paul, então, convence Nina a levá-lo para São Petersburgo, onde sua alma foi transferida para uma jovem atriz de telenovelas, esposa do chefe da máfia local. Desse modo, Paul deve decidir quão longe está disposto a ir para obter sua velha vida de volta.
A comparação com QUERO SER JOHN MALKOVICH é inevitável. Barthes, uma antiga figurinha dos laboratórios de roteiro em Sundance, apresenta uma narrativa segura, imergindo seus personagens num mundo misterioso, onde aparência e realidade são completamente diferentes. São impressionantes planos-sequências de iluminação evocativa. Uma atmosfera de lirismo melancólico. Ao mesmo tempo, ela amarra as contradições da jornada simbólica de Paul, expondo todo o absurdo do seu dilema existencial.
Giamatti apropriadamente se (com)funde com seu personagem, interpretando sua própria persona com ansiedade complicada e timing diferente de humor. Parte do prazer de assistir ALMAS À VENDA e ver Paul Giamatti lutando para compreender a sua alma. Não é possível ajudá-lo, mas é possível olhar de relance a nossa própria alma refletida num filme tão inteligente.
Spoiler Rating: 74
LBC Rating: ~

2 Comments, Comment or Ping
Vinícius P.
Vi faz pouco tempo e gostei moderadamente. O melhor do filme é o Paul Giamatti.
Jul 7th, 2010
Wanderley Teixeira
Adoro esse tipo de proposta Kauffmaniana! Cold Souls me chamou atenção ano passado pela recepção nos cinemas e festivais e tb por seu elenco, sempre confiáveis Giamatti, Watson e Strathairn.
Jul 8th, 2010
Reply to “Almas à Venda”