

Com À PROVA DE MORTE, exibido na disputa pela Palma de Ouro em 2007, Quentin Tarantino retornou ao berço de sua fama: Ao Festival de Cannes onde debutou com CÃES DE ALUGUEL e, logo em seguida ganhou a Palma de Ouro com PULP FICTION.
E, a exemplo de suas origens, À PROVA DE MORTE foi exibido e ovacionado. Aplaudido porque Tarantino possui um estilo único de misturar referências cinematográficas. Uma receita que sedimenta o gênero de um homem só. Um gênero “Tarantino”, melhor dizer. Um grande liquidificador de estilos, filmes e autores favoritos do diretor, cujo pastiche remete uma notória marca pessoal na forma da mistura.
A narrativa parte de uma homenagem ao “slasher movie” dos anos 70, mas com um detalhe: Ao invés da tradicional faca que rasga os personagens nesse tipo de filme, ele usa um carro “à prova de morte”, que tem a bordo seu grande vilão vivido por Kurt Russel.
O modelo do carro só oferece imunidade ao motorista, e Mike se serve disso para divertir-se matando mulheres, à custa de pé no acelerador e batidas – Muitas batidas. De novo, Tarantino faz um filme jorrar sangue (tributo ao gênero “gore”) e ainda aproveita para filmar uma alucinante perseguição de automóvel típica dos filmes de ação.
O roteiro se divide em duas partes: Na primeira, três sexys e formosas moças, primeiro num bar e depois num velho carro japonês falam sobre sexo, até que Mike (Russel) , um paranóico ex-dublê de cinema, com quem se cruzaram no bar, choca de frente e propositadamente contra elas na estrada, provocando uma sequência, ao nível mais extremo, com chapas, braços e pernas voando por todos os lados
Depois, outras três moças, agora mais radicais e menos ingênuas (entre elas Rosário Dawson), voltam aos diálogos sobre sexo, dentro de um Chevrolet Amarelo, parecido com o de Thurman em KILL BILL. Até que, novamente, o louco tenta atirá-las fora da estrada. Entretanto, numa extraordinária cena de perseguição de automóveis, o feitiço se vira contra o feiticeiro e assim acaba o filme.
Isto tudo com cortes bruscos na montagem, repetições, e uma cópia cheia de riscos, como é de praxe. O argumento lembra muitos filmes B, mas também algo dO CARRO ASSASSINO de Steven Spielberg – sem um gênero especifico e com um toque de modernidade empolgado pela trilha musical impecável, que o coloca mais no domínio de uma obra de arte. Gostando ou não de Tarantino, é impossível ficar indiferente.
Spoiler Rating: 82
LBC Rating: ~
Por Silvana Arantes (Folha de São Paulo) e José Vieira Mendes (Premiere)

2 Comments, Comment or Ping
Juliana Maffia
Assisti A Prova de Morte esta sexta-feira no noitão do Belas Artes, não preciso falar o que achei do filme, as reações da sala nas três vezes que ele passou falarão por mim. Conversando com algumas pessoas, vi que ele foi aplaudido TODAS AS VEZES! E não foi apenas ao final do filme, a cada pancada, cada sangue jorrado, mais aplausos! Enfim o filme é fantástico e verei de novo quando ele realmente estrear nos cinemas! Pena que perdi quando ele passou pela primeira vez na mostra de sp.
Jul 12th, 2010
Vinícius P.
Para mim não é um dos maiores filmes do Quentin Tarantino, mas certamente merecia mais atenção – ao menos pela sequência de perseguição que é totalmente incrível.
Jul 12th, 2010
Reply to “À Prova de Morte”