Mousse e Louis são jovens, bonitos e ricos, mas a droga invadiu suas vidas. Com ela veio à overdose e Louis morre. Mousse, no entanto, está grávida e diante de sua dor, resta apenas um isolado refúgio.

O REFÚGIO é, também, o retorno de François Ozon ao drama humano. Como em AMOR EM 5 TEMPOS é uma pílula amarga de engolir, povoado de personagens frágeis, lidando com situações de dor e perda. É, ainda, uma exploração provocante de alguns costumes ultrapassados e relações sociais pouco ortodoxas.

É um filme em tom menor feito única e exclusivamente para a gravidez de Isabelle Carré. Ela própria grávida durante as filmagens, ecoando a gravidez de sua personagem Mousse. Um elemento-chave de uma pequena história íntima.

Então surge uma reviravolta, Paul aparece na trama. Ela se apaixona aos poucos por ele, mas há um problema: Ele é gay. Ela está grávida. Ele é o irmão de Louis. Ela está vulnerável. E assim, Ozon constrói sua narrativa com sutileza… Com tempo… E assim se conta uma historia minimalista até o surpreendente e emocionante desfecho.

É, enfim, um drama de amor pontuado pela música de casinha de bonecas. Pelos diversos espelhos que pontuam o cenário como sinistras dúvidas confabuladas no mundo do avesso e pelo mar e sua ressaca de sentimentos que vem e vão em ondas.

Com O REFÚGIO, Ozon esculpe a luz, acaricia as emoções, captura um perfume no ar, atende mais uma vez ao desejo de sua grande força vital, filma a gravidez como pessoa, sem ignorar o poder da melancolia. Tudo com a simplicidade da grande arte.

Spoiler Rating: 73
LBC Rating: ~

This entry was posted on Friday, September 17th, 2010 at 11:52 am.
Categories: FILMES.

No Comments, Comment or Ping

Reply to “O Refúgio”


Registro de 

Domínio e hospedagem profissional de sites é só na Insite