Samuel Maoz viveu 25 anos no limbo. “Morreu” na primeira guerra do Líbano, em 1982, e só “renasceu” quando realizou este filme: LEBANON. Sim… O ex-soldado, agora cineasta, usou o cinema como terapia e fez dele um acontecimento: Levou o público ao interior de um tanque de guerra e lá o confinou por 80 minutos, abandonados à mesma sorte de quatro soldados a esmo numa aldeia libanesa devastada.

Então mergulhamos no inferno visual e sonoro de Maoz e só se vê o que Shmulik, Assi, Herzi e Yigal vêem e ouvem. E é assim o tempo todo… A maioria das cenas se passam dentro do blindado, numa ambientação escura e claustrofóbica.

É, afinal, uma experiência alucinada. Calculada para assim ser. Não cede um milímetro, não faz favores ao espectador que só vê luz quando alguém entra ou sai do tanque e só se sai do escuro quando se olha pelo periscópio, lá para fora, para disparar, fazer explodir, matar.

É a sensação física da guerra, o pânico do combate, caras, olhos, olhos muito abertos, medo, escuro… É a guerra como o cineasta viveu, sem qualquer heroísmo ou outros clichês. Uma catarse que serviu ao diretor para arrancar de si próprio um grande filme de guerra que transcende o gênero. Combinações entre hiperrealismo e surrealismo, consciente e subconsciente, produtos da mais profunda e dolorosa memória, decantada num processo de colocar a platéia no tanque.

Assim é LEBANON. Não um filme político. Não um filme de guerra, mas uma experiência, um depoimento pessoal filmado. Um desabafo por assim dizer.

Spoiler Rating: 87
LBC Rating: ~

Por Luiz Zanin Oricchio (Grupo Estado), Leonardo Cruz (Grupo Folha), Vasco Câmara (Público PT), Neusa Barbosa (Cineweb), Alicia García de Francisco (Agência EFE), Mike Collett-White (Reuters) & Agências AFP, BBC e Image

This entry was posted on Tuesday, September 28th, 2010 at 4:49 pm.
Categories: SPOILERS.

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