

Com ROUTE IRISH, Ken Loach vai à guerra no Iraque sem sair de Liverpool. É aqui que os personagens investigam a morte de um “contratado” para a guerra – de um funcionário da empresa chamada guerra. E é na intensidade do que se passa em Liverpool, mais do que na denúncia da imoralidade do que se passa no Iraque, que Loach ganha o seu filme.
“Route Irish” é uma das estradas mais perigosas de Bagdá – do mundo, inclusive. Justamente a rota que conduz ao aeroporto. Um caminho vulnerável ao ataque de insurgentes e o lugar onde o personagem é morto. É também a premissa de um Loach menos afetivo. Mais bélico. Um olhar crítico sobre a ganância das empresas privadas de segurança que operam no Iraque.
A ideia de privatização da guerra é, por si, impressionante. E Loach e o roteirista Paul Laverty não fazem nada para amenizar o absurdo, violência e solidão que permeiam essa escolha.
Na história, um desses mercenários enterra o melhor amigo. Por meio de um celular que o cara lhe enviou secretamente, ele descobre que o mesmo foi morto porque sabia demais num caso que poderia comprometer os interesses pecuniários das grandes corporações e, para tornar as coisas mais complicadas, o roteiro imagina que esse homem seja secretamente apaixonado pela mulher do “buddy” (e ela retribui).
Loach é sempre um bocado mais do mesmo. Pode-se gostar da ferocidade e instinto de sobrevivência dos personagens, e ao mesmo tempo desconsiderar a previsibilidade de relojoaria dos seus filmes. ROUTE IRISH é exceção ao tema, não a regra.
Spoiler Rating: 70
LBC Rating: ~
Por Luiz Carlos Merten (Grupo Estado), Orlando Margarido (Portal Terra), Kleber Mendonça (Cinemascópio), Ana Paula Souza (Grupo Folha), Thiago Stivaletti (Portal UOL), Vasco Câmara (Público PT), Agências France Press, EFE, AFP, BBC, Variety e Hollywood Reporter & Assessoria de Imprensa de Cannes

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