


A câmera na mão do cineasta argentino Santiago Loza é um fetiche. Seu filme A INVENÇÃO DA CARNE (LA INVENCION DE LA CARNE) é um pequeno estudo de anatomia que flerta com o corpo humano inteiro: A rótula de um joelho, os cabelos esvoaçantes, as veias das mãos, os pelos pubianos. Tudo asséptico. Tudo científico, captado em closes implícitos e explícitos e takes curtos.
É um filme de poucas palavras. Pouca história também. O interesse é a carne – A pele nua, branca, pálida – e como ela se movimenta e trabalha, como o vestido esvoaça pelos molambos de uma mulher, como a lâmina barbeia o rosto, como um bebê tenta nadar ao lado da mãe.
Não há história… Há pequenos afazeres: Lavar a roupa suja, refrescar o rosto no lago, mergulhar miolo de pão no café, dobrar uma calça com disciplina japonesa. Há pequenas coisas também: O farfalhar de um ventilador, o silencioso prazer de um cigarro aceso, um sanduíche sobre a mesa, uma bolha de sabão.
É tudo desculpa para exibir o corpo em sua plenitude. As palmas das mãos, a nuca, o nariz, os lábios, as rugas, a bunda. E cadê a história? Ela segue dessa obsessão. Surge de um homem e uma mulher e uma viagem. Uma busca, então.
A câmera tem fome. Filme zumbi? Filme antropofágico? Não… A INVENÇÃO DA CARNE é, enfim, uma anatomia do milagre da vida!
Spoiler Rating: 76
LBC Rating: ~

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