
DOIS IRMÃOS (DOS HERMANOS) orbita em torno das peripécias de Marcos (Antonio Gasalla) e Susana (Graciela Borges), que dão vida aos personagens do título. O filme é um sopro na carreira de Daniel Burman, uma deliciosa comedia de cinqüentões, repleta de pessoas rabugentas, suas manias e confusões.
Voltemos aos dois irmãos: O tom é ligeiramente outonal para esse peculiar par de personalidades contrastantes, ora em dependência mutua, ora em “intolerância mutua”. Esse é o motor que impulsiona o filme – essa fraternidade – que oscila entre a comoção, a dignidade e a frustração. Uma historieta de amarguras patéticas, incidentes bizarros e algumas gotas de humor negro que compõem, enfim, um filme envolvente.
São vários episódios construídos em torno do mundo familiar e ocupacional dos irmãos, oferecendo diferentes e variados aspectos de ambos os personagens, tanto juntos como separados, sempre com humor, mas jamais na caricatura ou lugar comum.
Em contrapartida, a caracterização de Gasalla e Borges é tão bem sucedida que dá a impressão de, às vezes, estarmos às voltas com um drama contado com sobriedade e nobreza (Marcos) ou com convicção fria e manipuladora (Susana). A fragilidade humana de Susana e os desejos ocultos de Marcos nunca assumem o caminho mais fácil; O que cria uma ironia um tanto anacrônica, mas perfeita para essas pessoas no limiar da velhice, rodeada por uma atmosfera decadente.
DOIS IRMÃOS é, enfim, uma comedia recatada, um drama crepuscular, uma dramédia digna e um tanto obsoleta, onde pode se desfrutar do trabalho notável dos atores e curtir um irônico relax com boas oportunidades de riso.
Spoiler Rating: 74
LBC Rating: ~

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