


O filipino Raya Martin fez do seu INDEPENDENCIA, um filme independente do movimento cinematográfico. Voltou às origens – na idade da pedra do cinema – e resgatou a estética P&B e o clima fake da década de 30, onde tudo era filmado em estúdio.
O chiaroscuro da floresta filipina é falso. É iluminação de estúdio requintada e precisamente controlada para dar o efeito de luz e sombra num telão pintado ao fundo. A trilha sonora foi gravada em outro lugar e a música, sempre exuberante, rouba a cena dos sons maravilhosamente enlatados. Todavia, INDEPENDENCIA não parece um filme hollywoodiano antigo. A beleza superficial transcende o efeito.
A história é simples. Uma mãe (Tetchie Agbayani) e seu filho (Sid Lucero) se refugiam no meio da selva quando as tropas americanas começam a invadir as cidades do país. Eles levam uma vida austera longe da civilização até que o filho encontra uma mulher (Alessandra de Rossi) ferida e supostamente violentada pelos americanos. A mãe morre de doença. O homem e a mulher têm um filho (Mika Aguilos) e começam a viver juntos em paz no meio da selva.
Infelizmente INDEPENDENCIA acaba com uma tonelada de questões pendentes. A narrativa de apenas 77 minutos está mal acabada e o final é apressado, misturando repressão colonial com desastre natural.
Mas a proficiência de Martin com iluminação, mise-en-scène e desenho de som é tão exuberante que despita os problemas de seu melodrama. O cineasta é jovem – apenas 25 anos – e possui claramente uma inteligência visual que anuncia uma carreira fantástica e original. Duas qualidades que garantem o refinamento em filmes futuros. INDEPENDENCIA é, então, sua tentativa de partir do passado para falar do futuro. É seu tudo ou nada.
Spoiler Rating: 84
LBC Rating: ~

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