

O cenário: Um restaurante de sopa de macarrão em um deserto digitalmente colorido. Os personagens: A jovem e exuberante esposa do dono da loja (um velho ranzinza), seu amante (o cozinheiro), dois garçons, um gordo servil e uma garotinha. O primeiro visitante da pousada é um comerciante estrangeiro (com jeito de pirata) que vende sua arma a ela. Depois vem um soldado astuto e ganancioso, o inevitável assassino. O casal + o amante + o assassino + a arma: Os ingredientes de GOSTO DE SANGUE, revisitados por Zhang Yimou em uma deliciosa comédia de erros.
A base de A WOMAN, A GUN AND A NOODLE SHOP é a mesma dos Coen: O velho descobre que está sendo traído pela jovem mulher com um de seus funcionários. Ao mesmo tempo em que a esposa planeja matá-lo, ele contrata um dos soldados da guarda imperial para eliminar o casal adúltero. O resultado é um filme sombrio e inteligente que flerta não apenas com o cinema dos irmãos Coen, mas com o exercício do cinema narrativo de uma forma mais ampla.
A fotografia é impressionante. Cada enquadramento é uma obra de arte em si. A estética se assemelha às antigas óperas chinesas. No entanto, o tom é muito diferente, mais moderado, menos sanguinolento. É uma farsa, digamos assim: Zhang não buscou exatamente o remake, tampouco a homenagem. O que quis foi a recriação a partir de um material teoricamente rápido, deslocando o argumento dos Coens às paisagens e personagens dos tempos imperiais chineses.
Spoiler Rating: 67
LBC Rating: ~
Pelas Agências AFP, EFE e BBC

No Comments, Comment or Ping
Reply to “Uma Mulher, uma Arma e uma Loja de Macarrão”