Graças a CYRUS, os cineastas Mark & Jay Duplass, mestres do momento embaraçoso, puderam inscrever mais uma lista de atores no seu estilo baseado em improviso. Os co-diretores entregaram um roteiro bruto a cada um e os incentivaram a personalizar diante das câmeras. Sorte deles que John C. Reilly e Jonah Hill não são tão estranhos para a comédia stand-up…

Pois logo na cena de abertura, no qual Jamie (Catherine Keener) caminha para encontrar seu ex-marido, John (Reilly), em uma posição comprometedora, para disparar, em seguida, a cadeia surpreendente de eventos que giram em torno do personagem título, se vê algo de novo nas situações representadas aqui.

Em muitos aspectos, o sucesso das fitas dos Duplass não é medido em riso, mas por quanto estremece o público com as cenas desconfortáveis. Os cineastas especializaram-se num comportamento passivo-agressivo, destravando verdades ao longo da ausência de roteiro, criando comédia com cenas em alta definição da reação de cada personagem em determinadas cenas (extremamente frequentes com ajustes de foco, close ups e mini-zooms que dão certa sensação de amadorismo à fita).

Cyrus entra em cena depois de um memorável meet-cute entre John e Molly (Marisa Tomei). O garoto grandão é a própria encarnação do ressentimento. O personagem de Tomei exige que ela permaneça alheia às manipulações de seu filho, mas Reilly e Hill estão leve e solto – Os resultados são maravilhosamente imprevisíveis.

John não sabe o que fazer com Cyrus, embora vários indícios indiquem que esse “menino” de 21 anos goze de um relacionamento incomum com a sua mãe. Uma foto no quarto de Molly mostra que ela amamentou o garoto por bastante tempo e várias cenas sugerem a possibilidade de incesto. O fato é que não sabemos o que está acontecendo e embora não pareça que John esteja em perigo físico, o suspense tão ambíguo em torno desse triangulo amoroso não é tão diferente da de um filme de terror.

Hill rouba o filme para si. Com sua postura desajeitada e brilho frio, Cyrus é uma criação que basta piscar para ganhar uma risada. A abordagem semi-escrita priva qualquer slogan fácil, tornando-o um personagem difícil de esquecer. Seu filme, pelo menos, é inesquecível.

Spoiler Rating: 72
LBC Rating: ~

This entry was posted on Tuesday, October 19th, 2010 at 5:47 pm.
Categories: FILMES.

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