

Entre muitas coisas boas e algumas não tão boas, Paolo Virzi aparece com A PRIMEIRA COISA BELA (LA PRIMA COSA BELLA): Um doce revival de notas frescas da província de Livorno em plenos anos 70. Uma comédia que bebe do passado e é construída lentamente – bem lentamente -, no tom certo entre realismo e poesia.
Virzi reúne dois irmãos para uma ficção tão improvável quanto brilhante, Valério Mastrandrea e Claudia Pandolfi, ambos excelentes. Há, ainda, outra beleza: A hilária interpretação de Marco Messeri, hábil nas nuances de seu personagem, enamorado da protagonista da historia, a “mulher que amou demais” que, primeiro tem o rosto de Micaela Ramazzotti e, depois, Stefania Sandrelli.
Então temos passado e presente, calorosamente abraçados por uma atmosfera retro, desbotada pela fotografia vintage de sedutor amarelo e encerrada numa serenata de Malika Ayane interpretando “La Prima Cosa Bella”, canção imortalizada por Nicola di Bari que, agora, serve para (re)encontrar o bom humor entre mãe e filhos. Um pormenor elegante.
E tudo gira em torno dessa encantadora província e seu tema universal: A história de uma “mamma”, muito pouco convencional, e de seus filhos. De um pai violento e ciumento, das fofocas de vilarejo que apunhala vidas e reputações. Um belo afresco embalado de sentimentos genuinamente “italianos”, enfim, passionais.
Virzi nos conta sua Livorno. Nos encanta com uma piada, uma expressão, uma musica, com seu filme cheio de homenagens ao cinema italiano e repleto de vida. Não é grotesco, não é nostálgico, é um bom filme, talvez mais otimista do que o habitual, mas certamente irresistível.
Spoiler Rating: 80
LBC Rating: ~

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