MISTÉRIOS DE LISBOA é uma grande piada com a alma (e duração) de um melodrama. Um brilhante artefato (vamos chamá-lo assim) de quatro horas e meia, lançado ao publico sem qualquer consideração por sua, digamos, necessidade fisiológica.

Basicamente é novela. Melhor: Um melodrama do século XIX, carregado de duelos, insultos de amor, filhos ilegítimos, vingança, padres libertinos, confissões vergonhosas, e dois ovos cozidos, mas isso é apenas aparência.

Raul Ruiz nos apresenta seu filme de forma incomum, destorcida e fragmentada como seu próprio olhar. Seu cinema é manuseado com facilidade em terra instável: Ali onde o melodrama se confunde com a comédia, onde a realidade se decompõe em um perverso jogo de paradoxos, é nesse ponto que o cineasta chileno nos lança em um labirinto de espelhos.

A estratégia principal é quebrar a realidade através de um emaranhado de historietas que dão forma e significado ao todo. Todas as histórias (e são muitas) são contadas diante da câmera em um jogo reflexivo (e surreal), semelhante aos contos de Shereazade em “Mil e uma Noites”. Relatos que se enroscam dentro de outros relatos para finalmente nos lançar em um corredor de paixões infinitas perfeitamente estúpido. É, enfim, um pequeno teatro de papel no qual, mais uma vez, se apresenta a vida representada.

Dá vertigem. E esse é o ponto: Fazer cócegas no cérebro com falatórios brilhantes, precisos, gigantescos, encerrados em um único plano-sequência. O resultado é um elaborado entretenimento sobre o grande teatro barroco do mundo. Mas só a auto-indulgência do autor justifica 256 minutos de tão brilhante, mas também cansativos momentos.

Spoiler Rating: 88
LBC Rating: ~

Pelas Agências EFE, ABC, La Rázon & El Mundo e Assessorias de Imprensa dos Festivais de Toronto e San Sebastian

This entry was posted on Wednesday, October 20th, 2010 at 6:13 am.
Categories: SPOILERS.

No Comments, Comment or Ping

Reply to “Mistérios de Lisboa”


Registro de 

Domínio e hospedagem profissional de sites é só na Insite