

AIR DOLL prolonga a visão humanista do cinema japones, herdada de Ozu, Kurosawa e Naruse. Uma lição magistral de delicadeza de Hirokazu Kore-eda que novamente filma o imprevisível diante do nada. Um doce conto de fadas sobre as vicissitudes de uma boneca inflável que, lentamente, respira e vive. Uma alma pura, uma menina inocente cuja vida se desenrola como uma meditação dolorosamente bela da solidão, enquanto você entende o que significa ter um coração sintético.
Então, Nozomi, a tal boneca inflável, vem à vida e nos guia pelas ruas de Tóquio, vestida com sua fantasia sexual de ser inconsciente e, finalmente, encontrando o verdadeiro amor na forma de uma atendente de videolocadora.
Sem nenhum pé na realidade, Kore-eda constroi sua fábula – quase uma mentira – sobre o autentico, com uma absoluta precisão (e beleza) de imagens. Sua fita, ao contrário de sua boneca, não é um ponto único cheio de ar: Esta acima de um campo tão lírico, tão plasticamente sentimental, que você se surpreende quando esse encantador Prometeu mostrar seu fogo ardente. Pode ocorrer que ao termino da historia, voce não saiba o que realmente viu, mas sabe muito bem que é algo que jamais percebeu antes.
É aqui que trilhamos o mesmo território de Steven Spielberg em A.I. – INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, no qual um menino-robô tenta o suicídio depois de seu coração bater mais rápido do que a raça humana miserável. Houve uma descoberta cuja importância, enevoou os olhos de um inocente em um mundo derretido, e aqui tocamos o coração da boneca inflável – de carne e sangue frio – se sentindo como um brinquedo de segunda mão.
Spoiler Rating: 72
LBC Rating: ~

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