


O recente filme de Patricio Guzmàn é aparentemente bem diferente do contexto histórico que lhe fez fama. NOSTALGIA DE LA LUZ é um documentário sobre o deserto de Atacama, a três mil metros de altitude. Um lugar onde astrônomos se reúnem para ver estrelas. Um local que atrai outros visitantes por motivos mais peculiares: A seca do solo conserva os restos humanos intactos. Uma terra que guarda além de múmias e exploradores perdidos, centenas de corpos de vários prisioneiros políticos…
É, enfim, uma terra rica em dualidades que o filme acentua: Astrônomos estão ali à procura de vida extraterrestre. Famílias dilaceradas estão ali à procura de seus familiares… O que sai dessa comparação improvável entre ciência e história é uma perspectiva totalmente nova, algo mais amplo, com vislumbres de significados mais profundos.
A dimensão política está, portanto, bem patente. Uma problemática que sempre perseguiu a filmografia do cineasta, desde os seus primeiros passos com a trilogia A BATALHA DO CHILE, projetada na Seleção Paralela de Cannes em 1975, até SALVADOR ALLENDE, apresentado Fora da Competição em Cannes, em 2004.
O cineasta tece em cada um de seus longas a memória nacional do Chile do Século XX. E é precisamente da memória que se trata NOSTALGIA DE LA LUZ, filme virado para o futuro (as estrelas), não esquecendo ao mesmo tempo de um passado doloroso onde o preço da independência celebrada é sangue e suor.
Spoiler Rating: 83
LBC Rating: ~
Pelas Agências France Press, EFE, AFP, BBC, Variety e Hollywood Reporter & Assessoria de Imprensa de Cannes

No Comments, Comment or Ping
Reply to “Nostalgia da Luz”