
Os fantasmas do México de hoje e de ontem… Eis o projeto de 10 cineastas em REVOLUCIÓN, um filme que pretende esboçar uma visão plural e contemporânea da Revolução Mexicana de 1910 em dez curtas-metragens. Cada historieta recuperando um conceito da revolta: Suas causas, desafios, esperanças e decepções… É, enfim, um retrato interessante do espírito dos tempos, esmiuçado na pluralidade de cada diretor.
A revolução que derrubou o ditador Porfírio Diaz resultou em uma revolta violenta e dramática, mas alguns diretores como Fernando Eimbcke, no entanto, optaram pela tranqüilidade. O diretor de LAKE TAHOE conta aqui a história de um povo (e um tocador de tuba) a espera de um convidado especial que nunca chega. É um episodio gracioso que contrasta com o conturbado curta de Carlos Reygadas (LUZ SILENCIOSA), uma visão selvagem – quase caótica – de um piquenique barulhento entre seus conterrâneos. Um evento que beira a violência despercebida…
Patrícia Riggen (SOB A MESMA LUA) optou pelo emocional ao narrar a viagem de uma jovem norte-americana que, relutantemente, atravessa a fronteira com seu falecido pai para honrar seu último desejo de ser enterrado na cidade natal.
Já Mariana Chenillo (CINCO DIAS SEM NORA) observa com sensibilidade a história de uma jovem balconista explorada pela loja em que trabalha. Uma relação de semi-escravidão que flerta com épocas pré-revolucionárias.
De Amat Escalante (SANGRE), surge o curta mais assustador e enigmático: Um filme em preto e branco no deserto, onde um burrico, um menino e uma menina resgatam um padre que foi pendurado de cabeça para baixo em uma árvore. Como recompensa, ele os leva para um lugar especial…
E o que aconteceria se o neto de Pancho Villa fosse utilizado para fins políticos? Esse é o argumento do curta de Rodrigo Pla (ZONA DO CRIME), um conto devidamente cínico. Mais petulante ainda é o bem-humorado filme de Rodrigo Garcia (MOTHER AND SON) no qual fantasmas revolucionários percorrem silenciosamente o centro moderno de Los Angeles.
Menos focado estão as contribuições de atores conhecidos (e co-produtores do filme), Gael Garcia Bernal, que reflete os símbolos do México, como a bandeira e a cruz através dos olhos de um garotinho, e Diego Luna, cuja história sobre um homem perseguindo seus sonhos ao invés de se concentrar na família, tem pouca relação com o tema proposto. O mesmo pode ser dito de Gerardo Naranjo (I´M GONNA EXPLODE), cujo conto de um mercenário que semeia a morte por onde passa nada têm a dizer.
Cada episódio foi produzido por uma empresa diferente, o que confere um panorama amplo, não só de estilos de direção, mas de abordagens e aspectos. O que torna REVOLUCIÓN, embora um tanto irregular, um ótimo portfólio do cinema mexicano..
Spoiler Rating: 71
LBC Rating: ~

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