


Baseado em contos autobiográficos de Hubert Mingarelli, BLACK OCEAN (NOIR OCÉAN), de Marion Hansel, narra a perda da inocência, a fragilidade da juventude no final da adolescência e o início da vida adulta, por motivos jamais aparentes, na Marinha. Como pano de fundo, havemos os testes nucleares franceses no Pacífico de 1972.
É, enfim, um tema curioso, extremamente político, que poderia desandar para a retórica fácil, mas que a cineasta evita em favor de uma historia mais intimista. Pena que seja tão irregular. Sim, o filme sabe transmitir o sentido de vida desses jovens homens “suspenso entre o céu e o mar”, entre o passado e o futuro, num mundo onde os testes atômicos sugerem um equilíbrio diferente – o terror, mas a principal fraqueza desse conto de guerra sem guerra é a lentidão dramática, o tédio, a teatralidade de alguns dos diálogos.
Para além de um prólogo, inexplicável, em que um rapaz margeia um rio para enterrar um caixinha debaixo de uma árvore (?!?), a história é quase totalmente definida à bordo de um navio naval francês, povoado pelo seu grupo de jovens recrutas – vestidos com uniformes de pato Donald – vigiando, jogando cartas, provocando e ajudando uns aos outros. Todos a espera do big bang. Três sub-histórias emergem desse pacote, uma espécie de JARHEAD, de Sam Mendes, oceânico.
BLACK OCEAN tem algumas cenas memoráveis e um simpatia incondicional projetada de seus personagens. Mas no final a soberba se perde numa falsa poesia. É como se a diretora quisesse mostrar de mais e contar de menos.
Spoiler Rating: 54
LBC Rating: ~

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