

Aimée Césaire
Em UN HOMME QUI CRIE, de Mahamat-Saleh Hardoun, cineasta já premiado com o Prêmio Especial do Júri em Veneza 2006 (DARATT) e que faz o Chade existir cinematograficamente, a guerra civil que há décadas devasta o país cerca um hotel de luxo de N’Djaména, a capital, onde um antigo campeão de natação africano trabalha, ocupando-se da piscina que é a sua vida.
Quando uma decisão administrativa o obriga a desistir do seu trabalho em favor do filho, toma uma decisão que implica o sacrifício deste. Pai e filho, ventos de guerra, ventos de uma narrativa mitológica, o lirismo toca, mas é tão contido, tão cinematograficamente pungente…
O pai, Youssouf Djaoro, esta excepcional. Seu mérito é viver o personagem discretamente, mas com intensidade, enquanto Saleh-Haroun filma. Ambos com uma visão muito clara – e lúcida – do que representa o cinema num país como seu. Pode parecer painel ambicioso, mas não é, uma vez que o cineasta usa os pequenos detalhes para falar de algo bem grande.
UN HOMME QUI CRIE é um retrato honesto e tocante da vida de hoje no Chade. É um grito contra o silêncio de Deus.
Spoiler Rating: 80
LBC Rating: ~
Por Luiz Carlos Merten (Grupo Estado), Orlando Margarido (Portal Terra), Kleber Mendonça (Cinemascópio), Ana Paula Souza (Grupo Folha), Thiago Stivaletti (Portal UOL), Vasco Câmara (Público PT), Agências France Press, EFE, AFP, BBC, Variety e Hollywood Reporter & Assessoria de Imprensa de Cannes

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