UMA FAMÍLIA (EN FAMILIE) abre em crônica curta pela historia do clã Rheinwald, uma linhagem de emigrantes alemães que vieram construir na Dinamarca, um império do pão que atravessou gerações. O começo, uma montagem ágil de fotos, sugere um épico familiar, mas, de fato a projeção orbita em um relacionamento simples entre pai e filha.

Abre em folia e casamento. Cura e gravidez. Cenas felizes. Família reunida. É a previa ideal para um drama. Para a violência que eclode na tela: A física que se manifesta em um golpe, depois, a psicológica, mais forte e profunda. Aos poucos, vamos descobrir a natureza do chefe dessa família. Um homem cujo poder tirânico não se mostra na tela, mas subtende-se. Um velho decrépito, doente, egoísta e cruel que prefere assar pães ao invés de amar a nova esposa. A presença de close-ups, por vezes curta, se mostra desconfortável, como se fossemos intrusos de uma situação que não nos é pertinente. Isso é reforçado pelo silêncio. Fúnebre e austero.

A diretora Pernille Fischer Christensen constrói o retrato de um homem egoísta. Um pai que se casa não por amor, mas por gratidão, seja pelos filhos gerados ou pela boa enfermeira, eficiente e silenciosa, que teve. Não se importa com a filha que deseja crescer profissionalmente em Nova York. Seu desejo é continuar a saga da família, o legado de sua padaria. “Tenho quatro filhos e nenhum padeiro”, lamenta. Lamentamos nós.

O filme termina em longa agonia, uma vigília perturbadora e dolorosa. Um filme realista, duro, intenso e emocional, um discípulo de Lars von Trier, onde o vínculo da família é o verdadeiro protagonista.

Spoiler Rating: 79
LBC Rating: ~

This entry was posted on Thursday, October 28th, 2010 at 8:58 am.
Categories: SPOILERS.

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