
Esnobado do concurso de Veneza, mas Grande Prêmio do Júri e do Público no Festival de Roma, THE MAN WHO WILL COME (L´UOMO CHE VERRÀ) é uma lufada de ar fresco aos filmes de guerra, cansados de velhos esquemas e estereótipos da Segunda Guerra.
Rigoroso, emocionante, sincero, apaixonado, o filme de Giorgio Diritti combina clareza moral e leitura histórica, com um estilo incomum para o atual cinema italiano: Um classicismo elegante e discreto. Um filme de (grande) diretor que narra o duro cotidiano de uma família na região de Marzabotto, às voltas com a ocupação nazista entre 1943 e 1944. Divididos entre o fascismo dos ocupantes e a resistência dos insurgentes, entre a intimidação de uns e as exigências de outros, os camponeses tentam viver da melhor forma possível.
Então seguimos a vida pelos olhos de Martina (Sugar Montanari), menina de oito anos, filha de Lena e Armando, que emudeceu depois da morte do irmão, mas que segue com curiosidade e zelo a nova gravidez da mãe, sempre a espreita daqueles que chegam – “o homem que virá” – seja nazista ou guerrilheiro, trazendo consigo a guerra e a violência na vida cotidiana.
Seu irmão nasce justamente em Setembro de 1944, e a história já nos disse o que vai acontecer nesses dias: Para “recuperar terras”, os nazistas exterminarão cerca de 800 camponeses, a maioria mulheres, crianças e idosos, sem quaisquer justificativas ou represálias.
O filme é em dialeto, que, por si só o emoldura no Neo-Realismo. Mas há muitos detalhes que descrevem a vida do período: A vida agrária, o parto na casa, a roupa, a cestaria, a matança do porco, os namoricos dos jovens, a primeira comunhão. Aqui, a câmera de Diritti é praticamente parte da comunidade – vive entre eles.
O roteiro, naturalmente, não faz concessões. Descreve um período trágico de forma direta, sem rodeios, sem retórica fácil, sem clichês e é sublime. Assim é THE MAN WHO WILL COME: “Un capolavoro”, como dizem os italianos – ou “obra-prima” em bom português.
Spoiler Rating: 80
LBC Rating: ~

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Jose Henrique Barbosa
Este filme, assim como o Diario de Anne Frank, ou Hitler, de Ian Kershaw, cumprem o papel de valioso alerta para os males do nazismo e do fascismo, opara que sempre possamos dizer “nunca mais”.
Jul 13th, 2011
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