
Para o autor Gabriel García Márquez, o amor é um demônio. Para a cineasta Hilda Hidalgo, o amor é desejo e compaixão. E para ambos, o amor é fogo que arde e transcende, em um sentido místico, quase uma porta para o mistério.
DE AMOR E OUTROS DEMÔNIOS – o livro, o filme – é, enfim, uma história mística de amor subversivo. Uma narrativa capaz de transcender as idades e crenças e, assim, transcender a morte. Um conto que persegue as agruras de uma jovem de 13 anos, Sierva María, na Cartagena colonial. Uma jovem, digamos, subversiva: Ela é branca, mas foi criada por escravos negros. É solitária, mas está pronta para qualquer coisa, até mesmo o amor.
Então visitamos o seu desejo, sua excitação e suas paixões. Quando é mordida por um cão raivoso, a Igreja lhe demoniza e escolhe o Padre Cayetano para exorcizá-la. A moça e o padre inevitavelmente se atraem e suas almas se entrelaçam na medida em que a sentença do casal caminha para um trágico fim.
A sensualidade de Sierva María entra em choque com o dogma sombrio e intolerante da colônia, um mundo cheio de culpa e de gravidade inquisitorial. Pior: Expõe as rachaduras de um sistema religioso e político precário e confunde a história da garota com a história da própria cidade, repleta de escravos, religiosos, marqueses e inquisidores. Um redemoinho de vulnerabilidades e medos.
DE AMOR E OUTROS DEMÔNIOS é um filme intimista que brinca entre o real e o fantástico. O resultado é quase onírico, eclipsado pela beleza estonteante da protagonista, Eliza Triana, que encarna uma passagem para outra dimensão de desejos, mesmo os mais proibidos e indizíveis.
Spoiler Rating: 80
LBC Rating: ~

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