


A barbárie de Wang Bing eclipsou a barbárie histórica, realista, terrosa e, por vezes, demasiada enigmática de THE DITCH. Filme panfleto sobre a China comunista da década de 50, as voltas com sua reforma cultural e a reeducação de homens condenados a trabalhos forçados no deserto de Gobi.
Revisitemos a historia: Entre 1956 e 57, diversos intelectuais chineses foram orientados a contribuir com suas opiniões pessoais sobre a política de Mao. O movimento, no entanto, saiu pela culatra, para dizer o mínimo, e milhares de cidadãos foram rotulados de “desvios de direita” pelas suas criticas ao Partido Comunista e condenados a uma sentença tão desumana que a morte por inanição ou exaustão foi a norma vigente.
É filme de protesto. Crítico. Cruel. É ficção, mas com o gosto amargo da realidade não reclamada. É ficção, mas é verdade. Um cinema de fel que não poupa o público de sua miséria. E diante dos olhos espantados, ora esbugalhados, da platéia, o cineasta filma a selvageria, a carnificina, metódica e minuciosamente.
Wang Bing filma a barbárie. O longo e lento processo da morte. Os ratos. O canibalismo. Filma com raiva e angustia, de forma árida e inflexível. O resultado é um catalogo de torturas. Um filme pesado. Um soco no estomago daqueles que ousarem a assistir sua historia.
Spoiler Rating: 71
LBC Rating: ~
Pelas Assessorias de Imprensa dos Festivais de Veneza e Toronto

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