


Em MINHA TERRA, ÁFRICA (WHITE MATERIAL), a cineasta francesa Claire Denis dirige Isabelle Huppert num filme que tem como cenário Camarões à beira de uma guerra civil. Huppert é Maria, muito branca, ruiva, sardenta e exposta ao sol, segunda geração de proprietários de uma plantação de café no meio de um país negro em convulsão social.
E eis que o conflito se instaura, o país se transforma em zona de risco e todos os brancos são ordenados a partir. Maria, no entanto, fica. Huppert é, então, a tenacidade ligada à terra, recusando-se a abandonar um país que se desmorona com a luta entre rebeldes e forças governamentais – e, consequentemente, sua família também se desmorona.
Nesse sentido, MINHA TERRA, ÁFRICA fala da incapacidade de enxergar, de ver o que se passa ao nosso redor, e sobre o que é o sentimento de posse, sobre coisas e pessoas.
O filme, no entanto, peca pela narrativa. Que é errática, apenas assinalada, não sendo suficientemente claro se Denis se desinteressou dela ou se não investiu o suficiente nela. Ou se aposta no realismo ou na fábula.
MINHA TERRA, ÁFRICA vale pela “experiência Huppert”: Uma atriz em terra estrangeira, a experimentar cenário desconhecido: A África! Embora, não se saiba se a atriz interpreta a personagem ou vive, de forma muito material, as condições que lhe deram.
Spoiler Rating: 77
LBC Rating: ~
Por Luiz Zanin Oricchio (Grupo Estado), Leonardo Cruz (Grupo Folha), Vasco Câmara (Público PT), Neusa Barbosa (Cineweb), Alicia García de Francisco (Agência EFE), Mike Collett-White (Reuters) & Agências AFP, BBC e Image

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