
Depois de lutar contra seus últimos três filmes, o cineasta ítalo-turco Ferzan Ozpetek retorna mais jovial e passional em O PRIMEIRO QUE DISSE (LOOSE CANNONS / MINE VARGANTI), uma comédia de meia idade simpática e comercialmente viável, ambientada no sul italiano. Um grande revival contemporâneo das velhas “commedia all’italiana” que mescla segredos de família, personagens excêntricos, tom agridoce e perspectivas de Sol. Simplesmente é a fita mais almodovariana de toda a filmografia de Ozpetek.
Riccardo Scamarcio faz o protagonista, que volta para casa, na província italiana de Lecce. A família é poderosa, possui um grande negócio de massas e está havendo uma comemoração. Antes que ela comece – a cena vem em flashback – Scamarcio conta ao irmão, que substitui o pai na direção das empresas, que quer revelar à família o seu segredo: é homossexual. O irmão antecipa-se e, em pleno jantar, revela que também é gay. O pai o expulsa da mesa (e da casa). Sofre um enfarte. Scamarcio, obrigado a ficar no armário, assume os negócios familiares.
O roteiro brinca entre a comédia social e a critica social. Histórias de amor não correspondidas – incluindo uma seqüência envolvendo a avó – emprestam peso emocional, enquanto as tentativas de Scamarcio de ensinar alguma pitada de tolerância aos seus pais, mantendo sua própria sexualidade em segredo, proporcionam alguns momentos de riso.
É um belo “come back” de Ozpetek, depois de seus experimentos escabrosos no melodrama. O PRIMEIRO QUE DISSE é, talvez, seu melhor filme. O que é bom para ele, e para o publico
Spoiler Rating: 77
LBC Rating: ~
Por Luiz Carlos Merten (Grupo Estado) & redação do Hollywood Reporter e Variety

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