Ao falarmos de HOUSEHOLD X (KAZOKU X), de Yoshida Koki, falamos de pessoas no deserto das horas sonolentas, vivendo seu cárcere de intensa e alienante rotina. Falamos daqueles filmes japoneses que aterrorizam o publico ocidental: Um filme minimalista de ritmo lento, poucos diálogos e argumentos intimistas, onde a ação corre abaixo da superfície, no interior dos personagens ou pelos cantos da cidade.

É essa abordagem, simples e direta, que provê uma historia virtuosa, de momentos psicológicos e emocionais genuínos. Cenas de grande beleza diante de um mar sereno, descolados da realidade, narrando a historia de uma civilização – uma família – inerte em sua própria vida.

Mas também (como todo trabalho de estréia) um tanto imaturo. A câmera de Koki, descuidada, desajeitada, nervosa, busca seus personagens pelos 190 minutos. Ela rodopia, tremelica, enfim os sufoca com eternos close-ups. É essa inquietação, tão cara aos documentários e tão oposta ao cinema oriental, que incomoda e desloca o olhar de sua essência narrativa.

Por esse discurso suculento, por essa direção vacilante, HOUSEHOLD X caminha por altos e baixos, tão hesitante quanto sua fotografia. A sorte é que o roteiro salva tudo em sua historia de pequenos e verdadeiros vislumbres.

E eis a câmera à sombra da triste protagonista, a “dona da casa” do titulo, pelas ruas e becos do seu bairro e toda a rotina orbitando ao seu redor: Os zumbis indo ao trabalho, retirando o lixo ou fazendo compras. Pessoas desprovidas de qualquer humanidade, mortas no seu isolamento e individualismo, na fedentina de sua tristeza, solidão e ansiedade. Satélites vagando a esmo pelo mundo no silêncio absoluto. E eis um retrato sincero, não só do Japão, mas da sociedade como um todo.

Spoiler Rating: 76
LBC Rating: ~

Pela Assessoria de Imprensa do Festival de Berlim & Agências Internacionais

This entry was posted on Thursday, March 24th, 2011 at 10:47 am.
Categories: SPOILERS.

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