

François Ozon: Ame-o ou deixe-o, mas jamais fique indiferente a ele…
RICKY segue-se a ANGEL, na carreira do diretor. Marca uma mudança de rumo, e clima e de alguma forma completa sua trilogia sobre a morte, integrada por SOB A AREIA e O TEMPO QUE RESTA.
Seu filme confundiu a imprensa, durante a Premiere em Berlim, mas se inscreve perfeitamente no universo criativo do diretor francês. Como em AMOR EM CINCO TEMPOS, RICKY também tem um momento de virada que desestabiliza a narração convencional e de quebra, o público. Mas talvez nunca Ozon tenha ido tão longe e mergulhado na fantasia como aqui…
Seu foco é a parcela empobrecida da população européia, representada por um casal de operários. Ela, francesa (Alexandra Lamy). Ele, espanhol (Sergi López). Ambos tem um filho junto: Ricky. É o bebê, a reviravolta da trama e a chave principal da filmografia do diretor, a convicção de que não existe amor feliz.
O homem vai embora quando a mulher o acusa de maltratar o bebê, que aparece com machucados no corpo. Mas não se trata de uma marca comum de maltrato. As marcas, na verdade, são sinais de asas que começam a nascer nas costas da criança.
É aí que Ozon libera, mais uma vez, seu olhar ácido para a família e demais instituições sociais. A reação da mulher à particularidade do filho revela uma mulher cegada pelo ideal de maternidade; O comportamento do pai desenha um homem de moral frágil, e o apetite da imprensa pela história desnuda o gosto pelo grotesco em desrespeito ao padrão mínimo de civilidade.
Realizadas com efeitos especiais corretos, as cenas de Ricky batendo as asas ou com elas em repouso soam críveis, e a atenção do espectador pode se concentrar no que acontece em torno da situação absurda.
RICKY retoma a tonalidade surreal dos primeiros filmes de Ozon e a postura provocatória, quase “de guerrilha”, que o tornou conhecido no circuito de festivais; É um filme menor no currículo do diretor, mas suficientemente estimulante para merecer atenção.
Spoiler Rating: 72
LBC Rating: ~
Por Silvana Arantes (Folha de São Paulo), Luiz Carlos Merten (Estado de São Paulo), Orlando Margarido (Portal Terra) & Jorge Mourinha (Público PT), além das Agências EFE, AFP, Reuters e BBC
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Kamila
Adoro François Ozon e quero muito conferir este filme!
Apr 27th, 2011
Reply to “Ricky”