


Cannes e Veneza já haviam homenageado o centenário do português Manoel de Oliveira. Faltava Berlim que lhe atribuiu o prêmio especial “Berlinale Kamera” pelo conjunto da Obra, entregue justamente durante a Premiere Mundial de seu SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOURA.
A adaptação de Eça de Queiroz pelo mestre português foi recebida com risos de reconhecimento, aplausos entusiastas e alguma perplexidade, consoante daqueles que conhecem a filmografia do cineasta ou a descobriram pela primeira vez.
A trama narra a decepção de um jovem apaixonado. A frustração de Macário (Ricardo Trêpa) com Luísa (Catarina Wallenstein) não é de ordem romântica. Desponta quando a moça revela uma “singularidade” de seu caráter.
Oliveira não tocou no diálogo original. Resolveu mantê-lo intacto, mas refez o cenário. De uma reconstituição de época que seria, a seu ver, muito trabalhosa, ele preferiu uma atualização e a trama veio para os dias de hoje, mas com aquele traço um tanto anacrônico tão peculiar em seus filmes.
É um filme “fora de tempo”, que pertence ao particular universo do cineasta, onde a Lisboa contemporânea não evoluiu desde a Lisboa de Eça, onde os cavalheiros continuam a usar chapéu e pedem a mão da prometida à mãe ou a bênção para o casamento ao pai ou ao tio, que discorda e deserda o sobrinho sem apelo nem agravo de um momento para o outro.
Mas quem esperar de SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOURA um grande filme terá de contentar-se com um pequeno divertimento (em todos os sentidos da palavra – dura uma hora, acaba antes de começar). Goste-se ou não do seu cinema, Oliveira impõe respeito.
Spoiler Rating: 69
LBC Rating: ~
Por James Mackenzie (Reuters), Jorge Mourinha (Público PT), Luiz Carlos Merten (Grupo Estado), Silvana Amaral (Grupo Folha), Orlando Margarido (Terra) & Agências EFE, AFP, BBC e AP

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