


A sala de projeção escurece em tom solene. É a deixa para os violinos trabalharem em sinergia. Para Ana tocar com sua alma de artista o sonho em sinfonia. De nos tocar com musica. De preencher sua mãe de pleno orgulho… Feito isso, Ana morre. Assassinada.
Então vivenciamos – estarrecidos – outra historia: EM LUTO POR ANA (TROIS TEMPS APRÈS LA MORT D´ANNA), Guylaine Tremblay encarna a triste vigília silenciosa de uma mãe por sua filha. A inércia. A estagnação. A alienação. A tela enegrece de lento pesar. A mente conjecturando mil possibilidades. O coração remoendo lágrimas.
Há um refugio para tanta tristeza. Um lugar no fim do mundo, na natureza morta de um deserto de gelo, onde se faz o jogo do preto e branco, do luto e das lembranças, dos pesadelos e sonhos. A trilha é o silencio. Austero. Tumular. Como se não houvesse mais música no mundo. Nem cores. Nem vida. Só fantasmas.
Então que venham os fantasmas! A avó, a mãe, por fim Ana. Uma visita para confortar, para lembrar, para reviver e, enfim, dizer: “Você deve viver, ao menos por Ana”. Jamais esmorecer. Jamais desistir.
Sim, é triste. O luto é assim, mas ao final o inverno cede lugar à primavera, ao toque de uma mão, ao conforto de um abraço amigo, ao frescor, aos resquícios de uma juventude. Por fim ao amor. Sempre o amor. Essa é a deixa para os violinos fazerem sua musica. Para a sala se iluminar e a vida correr seu curso diante dos créditos finais.
Spoiler Rating: 84
LBC Rating: ~

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