O ASSASSINO EM MIM (THE KILLER INSIDE ME) é uma adaptação fiel, mas parcialmente satisfatória da ardilosa novela de crime de Jim Thompson. Em seu primeiro longa totalmente americano, o cineasta britânico Michael Winterbottom segue a narrativa chave com rigor meticuloso, mas resume tanto os momentos de tensão, elegância, estilo e detalhes que torna sua violenta estória num filme de poucos arrepios.

A tônica do filme é definida pela rouquidão de Casey Affleck, o xerife bonito, charmoso, inteligente e despretensioso de um vilarejo com um monte de problemas: Problemas de mulheres… Problemas de lei… E uma pilha crescente de assassinatos em sua jurisdição. O protagonista permanece inabalável por muito tempo, mas no decorrer da investigação, descobrem-se novas evidências e a suspeita recai sobre ele próprio – Embora nesse universo selvagem, nada é o que parece…

O problema é Jessica Alba. A prostituta. A mulher fatal que todo filme noir aspira. Uma loira cativante que desperta um instinto psicopata adormecido. O tal “assassino” dentre dele mencionado no título.

O momento mais brutal é vinculado aos 25 minutos de projeção. Apesar de Alba ser tudo o que Affleck poderia ter sonhado e, certamente, continuará a sonhar, o protagonista decide matá-la junto com seu “filho”, simplesmente porque o desejo virulento “de dentro” veio à tona. Com palavras de adeus – “I love you. Goodbye” -, ele a espanca até transformá-la numa massa disforme de carne e sangue, atira no seu “filho” e, em seguida, coloca a arma na mão molenga da mulher para redirecionar a culpa.

Sim, é um cena violenta, franca, direta e viva o suficiente para causar estremecimento, se não dor real, no público. Alguns, com certeza, vão desviar o olhar. Obviamente há um motivo para isso (indicado por flashbacks da infância do rapaz), mas não é intenção do filme fazer psicologia. Algumas experiências são de formação, e isso é certamente verdade para o xerife, quando se trata de sexo e violência.

Affleck, revivendo dias gloriosos dO ASSASSINATO DE JESSE JAMES, é um boa escolha para o elenco. Sua voz embargada e olhar de menino oferecem um contraste intrigante à forma predatória desse homem. É como se estivesse revestido de uma ferocidade silenciosa que evocasse tons de Robert Mitchum.

Trabalhando o roteiro com John Curran, Winterbottom desenrola uma narrativa sórdida, mas falha quando comparada com os diversos filmes noir da época que o romance foi escrito: Falta dinamismo e atmosfera. Tudo fica aquém da textura rica, depressão e interligação dos valores do gênero. Tudo é plano demais, as cores monótonas demais. Com O ASSASSINO EM MIM, Winterbottom conta uma estória, mas não traz muito mais para a mesa.

Spoiler Rating: 64
LBC Rating: ~

This entry was posted on Saturday, July 23rd, 2011 at 4:22 pm.
Categories: FILMES.

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