Ao brincar de Deus, Terrence Malick criou sua apoteose: A ÁRVORE DA VIDA (THE TREE OF LIFE) é a própria vida e a morte, o big bang, o cosmos e Brad Pitt. É tudo e nada. Perguntas e respostas. Fascínio e desconcerto. Ele pode ser visto como uma viagem, um filme até o fim do mundo, um biscoito, uma oração ou meditação existencial. É, enfim, um labirinto sensorial assombrosamente desnorteante que, na melhor das hipóteses, é uma balada magistral, quase divina e na pior das hipóteses, um engano a ser corrigido. É difícil definir, pior seria classificá-lo.
Malick questiona e muito. Fala das metafísicas da bíblia, da origem do universo e do determinismo da infância. Dúvidas que atormentam o cineasta. As respostas estão além da sua compreensão: Entidades microscópicas diante do infinitamente grande, assim como foi a jornada de Kubrick em 2001, UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO.
Portanto, é uma sensação de desordem que vemos em tela, sentindo pela metragem prolongada, pela montagem desarrumada, narrada pela voz pomposa de um Deus onipresente. As imagens são fortes, contemplativas, mas não evitam a mistura do vento e da masturbação intelectual galvanizadas por este desejo de tentar explicar tudo.
Então Malick reduz o cosmos dentro de uma família, onde o pai – Brad Pitt – cria seus filhos da maneira mais complicada e difícil. Dentro deste ambiente impregnado no deserto patriarcal primitivo, há um filho que se encontra muitos anos depois, sob o disfarce de um Sean Penn perdido entre os arranha-céus de sucesso. É basicamente Penn que questiona a vida – a sua vida – através de oposições esquemáticas (Pai e mãe, pai e filho, homem e natureza, inato e adquirido, micro e macro), tratados como um obstáculo para a sua emoção e identificação.
Experimental, A ÁRVORE DA VIDA talvez seja o filme mais livre e mais fechado de Malick. Cercado de ironias, é o encontro da ficção científica, da gênese e JURASSIC PARK. Na verdade, parece mais com LUZ SILENCIOSA, de Carlos Reygadas: A mesma obsessão (cosmos, família) atingindo o apogeu de graça e poder. É um bom trabalho, talvez não a obra-prima que se esperava, mas que vale pela curiosidade de ver a intensa fotografia de Emmanuel Lubezki, a melodia de Alexandre Desplat e até mesmo a proposta de Malick porque, sim, ninguém é perfeito.
Spoiler Rating: 83
LBC Rating: ~

7 Comments, Comment or Ping
Kamila
Só lamento o fato desta pequena obra prima não ter estreado nos cinemas da minha cidade….
Aug 12th, 2011
Ávila Souza Oliveira
O que tem de belo tem de banal!!!
Aug 13th, 2011
Ávila Souza Oliveira
Bonito, mas é tão profundo quanto um pires!
Aug 13th, 2011
Ellen
Nunca vi um filme tao pessimo em minha vida! Horrivel!!!!! Nunca sai de uma sala de cinema com todos os presentes indignados!!! Nao recomendo o filme a ninguem
Aug 21st, 2011
HIGOR
Ellen, talvez você foi ao cinema ver “A Árvore da Vida” só para passar o tempo, e não porque você foi conferir, e assistir o filme de mente aberta, para entender melhor a produção.
O filme tem uma temática incrível, mas o fato de ser o mais “fechado” de Terence Malick, acho que só poderar ser lembrado apenas em Fotografia, na próxima Edição do Oscar. Fato ocorrido a 5 anos atrás com “O Novo Mundo”.
Sep 5th, 2011
Mayara Bastos
Quem espera um filme passatempo, vai se decepcionar com “A Árvore da Vida”, já que é um filme que exige do espectador total atenção para compreender o sentido e as transições da vida. Acho que é o filme mais “cabeça” do Malick que já vi, mas gostei, especialmente da fotografia e das atuações de Brad Pitt, Jessica Chastain e do menininho que faz o Jack.
Sep 10th, 2011
HIGOR
“Quem espera um filme passatempo, vai se decepcionar com “A Árvore da Vida”, já que é um filme que exige do espectador total atenção para compreender o sentido e as transições da vida. Acho que é o filme mais “cabeça” do Malick que já vi, mas gostei, especialmente da fotografia e das atuações de Brad Pitt, Jessica Chastain e do menininho que faz o Jack.”
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Sep 17th, 2011
Reply to “A Árvore da Vida”