

Espelhos, flores, dinheiro e frieza… “O cinema é um campo de batalha”, dizia Samuel Fuller, mas para o cineasta italiano Luca Guadagnino, o campo de batalha é a casa dos Recchi, uma rica família milanesa reunida para o aniversário de seu patriarca, nas grandes salas e corredores e jardins e cozinhas de sua suntuosa Villa Recchi.
O evento é a oportunidade de celebrar as tradições familiares, mas é também uma chance para o neto, Edoardo, introduzir um novo negócio; a única filha, Elisabetta, apresentar o outro lado de sua vida boêmia e o próprio avô, sabendo que este é seu ultimo aniversário, nomear o sucessor de seu império. E entre as maquinações refinadas dessa família, a mulher da casa, Emma Recchi (Tilda Swinton), desliza por todos exalando elegância e incerta turbulência.
Rejeitando o lugar comum que a classe trabalhadora imagina de um conto de alta sociedade, Guadagnino prova que a grande tragédia tem o poder de mudar, não importa a definição. Os paralelos com O LEOPARDO, de Luchino Visconti, não terminam no meio social, mas se refletem na extraordinária atenção aos detalhes e, mais importante, na sensação palpável de como os personagens são moldadas por seus ambientes físicos e psicológicos. Embora Emma seja a figura mais fascinante, os outros têm o mesmo peso, graças ao rigor da escrita e os desempenhos.
UM SONHO DE AMOR (LO SONO L´AMORE) é uma grande festa na tela e uma verdadeira festa para os sentidos… Um filme magnífico com estilo vibrante e irreverente que luminosamente se articula pela paixão e restrição. Swinton novamente encabeça o elenco com um desempenho impressionante. É a musa central de um conto sobre o sorteio irresistível da paixão proibida e da vitória agridoce da liberdade/constrição da riqueza e poder.
Spoiler Rating: 90
LBC Rating: ~

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