Mesmo depois de 40 anos, a franquia “O Planeta dos Macacos” continua a exercer certa fascinação e poder. O romance original de Pierre Boulle se tornou rapidamente um cult e foi esmiuçado em dezenas de adaptações. Até mesmo os primórdios da revolução já foram expostos – isso em FUGA DO PLANETA DOS MACACOS (1971) e A CONQUISTA DO PLANETA DOS MACACOS (1972). Em 2001, Tim Burton tentou reviver essa mitologia em vão e, agora, é a vez da Twentieth Century Fox fazê-lo com seu PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM.

E ao ressuscitar a franquia, o faz bem: O diretor Rupert Wyatt cria uma atmosfera densa, sem qualquer alívio cômico e de roteiro bem trabalhado. Embora tudo seja um detalhe perante os extraordinários efeitos especiais, fruto do state-of-art da Weta Digital: A companhia, além de todo foto-realismo alcançado, é a primeira a obter um olhar de criatura CGI com alma. E é surpreendente observá-los, já que são os olhos dos macacos que revelam suas reais intenções além de qualquer expressão ou emoção.

No final, é César (Andy Serkis, especialista no gênero) e todos seus amigos símios que chocam pela sua humanidade. Por outro lado, os autores propõem uma visão alarmante dos homens, seja John Lithgow como um alienado inconsciente, seja David Oyelowo no papel de advogado do diabo ou até mesmo Tom Felton como um torturador prepotente. Não importa… O recado que fica é chocante: O ser humano continua a ser abissal.

James Franco, todavia, esconde estes arquétipos. E seu protagonista impõe a ciência a serviço da ficção. E o diretor, ao filmá-lo, impõe um ritmo realista firme, crível do inicio ao fim. O mais inquietante é a construção rítmica do cenário, da historia, do senso de urgência. Tudo habilmente arquitetado sobre a revolução que se precede e com ecos do filme original de Franklin J. Schaffner – A estátua da liberdade em papelão, o anúncio de um vôo a Marte, um filme de Charlton Heston… Pena que algumas idéias sólidas sejam embaladas muito rapidamente. Quase que abruptamente.

O resultado é um filme que prima pela conquista tecnológica em estética e vida digital como forma de entretenimento inteligente, sem tempo morto. No mundo cruel dos blockbusters de verão, isso não é tão comum…

Spoiler Rating: 81
LBC Rating: ~

This entry was posted on Sunday, August 21st, 2011 at 4:50 pm.
Categories: FILMES.

4 Comments, Comment or Ping

  1. Acho que a obra estreia nesta semana aqui em minha cidade. Estou bem curiosa, especialmente, pra conferir a elogiada atuação do Andy Serkis. Li alguns sites especulando sobre uma possível indicação ao Oscar de Melhor Ator para ele. O que você acha disso?

  2. Maurício

    Acho improvável, Kamila. Mas certamente o filme ganha o Oscar de Efeitos Visuais

  3. Mirella

    mas afinal, vc poderia me dizer se Tom Felton morrer ou não nesse filme?

  4. HIGOR

    Ótimo!
    A atuação de Serkis é sensível e brutal ao mesmo tempo, e na mesma medida. Tudo que o personagem pede.Montagem e Roteiro não deixam a desejar.E que efeitos especiais são aqueles?Perfeitos!A mesma coisa para a Edição de Som e a Mixagem de Som. Os únicos defeitos do filme foram a fotografia densa demais para o estilo do filme e não trouxe emoção ao extremo, mas numa medida boa.

    Classificação: **** (Quatro Estrelas)

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