
A via-crúcis de Abel Ferrara chegou ao fim. Ao fim do mundo. À sombra da pior profecia eco-apocaliptica, às 4h44 da madrugada de um dia X, ele filma a fragilidade, a impossibilidade, a impotência. Só visto, só então sentido, para entender o que é este filme.
E assim é 4:44 LAST DAY ON EARTH: Um filme-catástrofe. Basicamente. Mas talvez o mais sereno filme-catástrofe de que temos memória. Willem Dafoe e Shanyn Leigh, naturalmente, esperam como todas as outras pessoas pela morte. Impassíveis. Alfas.
A paranóia fica com a humanidade e o próprio diretor: Sua típica figura atormentada entre o hedonismo e o desejo de destruição, culpa e redenção, desaparece na confusão coletiva da humanidade, à mercê do Apocalipse. E com o tormento do indivíduo desaparece a sua danação, substituída pelo afeto e composição dos contrastes, do último gozo dos prazeres simples da vida, aqueles que é impossível resistir diante do último suspiro.
É, curiosamente, seu filme mais acessível. Uma historia que abraça o sentimento de família, que também envolve o público, seja fisicamente, seja através do Skype, material de arquivo ou imagens da TV. Empatia que o diretor deixa claro no acabamento digital, no fluxo de consciência visualmente impressionante, mas, por vezes, pobre. E ao investir na substancia ao invés da forma, Abel Ferrara, cineasta, incendeia seus fãs ou (inúmeros) detratores, não importa, você decide.
Spoiler Rating: 73
LBC Rating: ~
Pela Assessoria de Imprensa de Veneza e TIFF11

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