
“O Olho da Tempestade” – o livro de Patrick White – é um lugar repleto de crueldade, avareza, inveja, engano, insegurança e cobiça… E assim é THE EYE OF THE STORM, o filme de Fred Schepisi: Uma historia bem dirigida, roteirizada, desenhada e filmada, mas, sobretudo, soberbamente interpretada – Como seria de se esperar de um elenco que inclui Charlotte Rampling como a enferma matriarca dragão da família Hunter; Geoffrey Rush como seu filho, um ator amador; E Judy Davis como sua filha, uma princesinha abandonada.
Claro que existem falhas, como todas as adaptações de romances para as telas: Schepisi não tem o mesmo alcance de um poeta ou romancista. Mas seu filme é um tour de force com três histórias paralelas: A primeira é um retrato de uma Sydney plutocrática – vulgar, expansiva, bela e corrupta. “Sydney está no sangue”, escreveu White, e Schepisi retrata isso através de Rampling e seu passado nos subúrbios orientais. A segunda é autobiográfica – Um retrato cruel de White diante de sua família, especialmente sua mãe dominadora. E a terceira é a busca dessa mãe doente, mais ou menos inconsciente, por um Deus. Ou, talvez, a descoberta de um momento do sublime como o olho de uma tempestade devastadora. Isto muito bem escrito no livro, mas talvez além do escopo do filme. Mas Schepisi e Rampling fazem uma tentativa corajosa.
Já o roteiro de Judy Morris (HAPPY FEET) traz os dois filhos adultos à luz dos holofotes, mantendo a dança intrincada entre passado e presente, entre luz e sombra e dentro e fora da lucidez da protagonista. O resultado é uma comédia negra sobre relações complexas que oscila em uma linha tênue entre o amor e o ódio, sorvido de grandes diálogos e ampla observação social. Uma proposta complicada, mas visualmente suntuosa que abraça a grandeza do clássico australiano literário sobre o qual é baseado. Já é bastante.
Spoiler Rating: 73
LBC Rating: ~

One Comment, Comment or Ping
Kamila
Esse filme tem sido citado no buzz para o Oscar. Veremos como se sai.
Sep 7th, 2011
Reply to “The Eye of the Storm”