
A morte de uma avó e uma casa branca que sela o luto e três irmãs… É o fim do verão. O fim da infância. Uma melancolia que rodeia as lembranças, memórias e recordações das protagonistas – Sofia, Violeta e Mariana – que consomem sua dor, ouvindo música, chafurdadas no sofá ou na cama, apartando brigas ou flertando com o vizinho. Hibernando. Respirando. Relutantemente, examinando suas vidas e prioridades, tentando, enfim, emergir de um semi-exilio. O pó impregna mobília e antiguidades, mas é evidente que o tempo chegou para “abrir portas e janelas” e é crucial fazê-lo.
E o roteiro, sempre sutil, mas incisivo, se põe a trabalhar as três personalidades, cada uma em um reino distinto que é incorporado em boas interpretações. Grande parte imersa em comunicação gestual, com palavras usadas somente para mascarar os verdadeiros motivos e sentimentos.
Milagros Mumenthaler filma essa inércia com o fascínio e os detalhes de um antropólogo, excursionando a casa e seus arredores com a mesma técnica de Lucrecia Martel. O próprio filme lembra O PÃNTANO, mas em uma visão feminina e mais familiar.
ABRIR PUERTAS Y VENTANAS é, afinal, um filme lento, às vezes tedioso, mas que pouco a pouco nos imerge nesse universo e nos emociona. O resultado é uma sinergia espontânea que provoca sentimentos tangíveis de que estas meninas são pessoas reais, vivendo dores reais em uma casinha ensolarada, mas fria.
Spoiler Rating: 68
LBC Rating: ~

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